Notícias | 14 agosto, 2026
Petrobras estuda a dinâmica da Corrente Norte do Brasil
Companhia quer caracterizar a dinâmica e a variabilidade espaço-temporal da corrente e de sua retroflexão na região offshore da Bacia da Foz do Amazonas. Além disso, a estatal também está buscando explorar a viabilidade técnica da captura de CO₂ dos gases de exaustão da Replan
A Petrobras está buscando, por meio do programa Conexões para Inovação, caracterizar a dinâmica e a variabilidade espaço-temporal da Corrente Norte do Brasil (CNB) e de sua retroflexão (quando uma corrente marítima muda de direção de forma abrupta) na região offshore da Bacia da Foz do Amazonas, por meio da análise integrada de dados oceanográficos e meteorológicos provenientes de observações in situ, sensoriamento remoto, reanálises e modelagem numérica.
O objetivo principal desta oportunidade é ampliar o conhecimento sobre a circulação regional e subsidiar a atualização de documentos metocean (relatórios e bases de dados que reúnem informações meteorológicas e oceanográficas) utilizados na definição de envelopes operacionais offshore (conjunto de limites máximos e mínimos de parâmetros físicos, ambientais e de engenharia dentro dos quais uma embarcação, plataforma ou sistema submarino pode operar com total segurança).
Já os objetivos específicos da oportunidade são, de acordo com a Petrobras:
- Propor uma estratégia observacional, combinando cruzeiros oceanográficos, boias meteo-oceanográficas e veículos autônomos, para aquisição de dados sobre a CNB, sua retroflexão e vórtices (os cruzeiros e respectivos recursos materiais já estão previstos em projeto realizado em parceria com o Centro de Hidrografia da Marinha);
- Analisar dados oceanográficos e meteorológicos oriundos de cruzeiros, observações autônomas, bases históricas, reanálises e sensoriamento remoto, visando quantificar a variabilidade espacial e temporal de correntes, temperatura, salinidade, nível do mar, ondas e ventos;
- Caracterizar a estrutura tridimensional da circulação oceânica regional, incluindo massas de água, variabilidade vertical da CNB e de sua retroflexão, incluindo a formação, evolução e dissipação de vórtices;
- Construir uma climatologia regional integrada, identificando padrões sazonais e interanuais da circulação oceânica e das condições meteo-oceanográficas da região;
- Avaliar a representatividade dos dados observacionais para a caracterização de condições ambientais de interesse operacional (ondas, ventos e correntes) e identificar lacunas para futuras campanhas de monitoramento; e
- Produzir subsídios técnicos para a atualização de documentos técnicos e o aprimoramento dos critérios utilizados na definição de envelopes operacionais offshore na Bacia da Foz do Amazonas.
A oportunidade “[METOCEAN] Análise Integrada de Dados Oceanográficos para a Caracterização da Corrente Norte do Brasil e de sua Retroflexão na Bacia da Foz do Amazonas, com Aplicação na Definição de Envelopes Operacionais Offshore” faz parte do módulo Cooperações Tecnológicas. Os interessados deverão submeter suas propostas até o dia 4 de setembro.
Replan
A Petrobras também está buscando explorar a viabilidade técnica da captura de CO₂ dos gases de exaustão das unidades de FCC (Unidade de Craqueamento Catalítico Fluidizado, ou Fluid Catalytic Cracking) da Replan utilizando uma unidade experimental em escala de bancada baseada em tecnologia de intensificação de processos do tipo RPB (Rotating Packed Bed). Essa abordagem busca avaliar uma alternativa compacta aos sistemas convencionais de absorção, especialmente adequada a cenários com severas restrições de espaço.
Adicionalmente, pretende-se que os resultados obtidos em bancada suportem o avanço para uma avaliação de viabilidade técnica em conjunto com empresas que já se estruturam para oferecer soluções comerciais de captura de CO₂ por intermédio do RPB em escala industrial, como Baker Hughes, KBR ou Carbon Clean. Essa etapa permitirá correlacionar os dados experimentais, eficiência de captura, consumo energético, desempenho frente a contaminantes e estabilidade operacional com os requisitos de projeto e operação em escala industrial.
“Assim, o estudo visa não apenas validar o conceito da tecnologia RPB, mas também reduzir incertezas de escalonamento e viabilizar a interlocução técnica qualificada com fornecedores, preparando a base para uma futura implementação de solução comercial compatível com as condições específicas e restrições físicas das unidades de FCC da Replan”, detalha a estatal na descrição da oportunidade “Captura por RPB de CO₂ exausto de FCC da Replan”, que também faz parte do módulo Cooperações Tecnológicas. O prazo para envio das propostas vai até o dia 5 de setembro.
No módulo Cooperações Tecnológicas, a Petrobras oferece suporte financeiro e cooperação com o seu corpo técnico para o desenvolvimento dos projetos. Universidades, empresas de todos os portes e Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), no Brasil e no exterior, podem participar do módulo.
O Conexões para Inovação é o programa de inovação aberta da Petrobras. Ele é dividido em nove módulos: Aquisição de Soluções, Encomendas Tecnológicas, Cooperações Tecnológicas, Ecossistemas Tecnológicos, Open Lab, Residentes, Startups, Transferência de Tecnologias e Petrobras Innovation Ventures.
Fonte: Brasil Energia