Notícias | 14 agosto, 2026
ANP aprova Plano de Desenvolvimento de Gato do Mato
Agência concordou com a reinjeção total do gás desde o 1º óleo, mas com o compromisso firme da Shell em apresentar a revisão do PD, incluindo a exportação do gás produzido pela jazida e outros pontos
A ANP aprovou o Plano de Desenvolvimento (PD) da jazida compartilhada de Gato do Mato (Orca e Orca Sul), localizada na Bacia de Santos, em reunião da ditetoria nesta sexta-feira (7).
No aval, a agência condicionou que a operadora, a Shell, apresente, até 31 de dezembro de 2032, a revisão do PD contendo a exportação do gás produzido pela jazida “dentro do horizonte óbvio de recuperação de hidrocarbonetos e de disponibilidade da infraestrutura de escoamento”.
A revisão deverá incluir a definição dos equipamentos e da infraestrutura para o escoamento, as atividades e cronograma para sua instalação, bem como a data de início do escoamento do gás natural.
Além disso, deverá apresentar:
- relatórios sobre a evolução dos estudos para a minimização do prazo para o escoamento do gás;
- relatório anual junto com a primeira versão do programa anual de trabalho e orçamento, contendo comparativo entre o planejado no plano de desenvolvimento aprovado versus executado;
- e determinar a fiscalização para o desenvolvimento e produção das tratativas de acesso à infraestrutura existente, assim como da construção do FPSO, com todas as flexibilidades necessárias à exportação do gás natural com vistas ao adequado aproveitamento dos hidrocarbonetos da jazida.
Segundo a ANP, este prazo dá ao operador período inicial de produção com 100% de reinjeção, a fim de mitigar as incertezas quanto ao conhecimento geológico da jazida e o comportamento do reservatório.
A obrigatoriedade da apresentação da revisão do PD foi uma proposta da diretora Symone Araújo, que fez coro ao pedido de vistas do diretor Pietro Mendes quando a proposta foi apresentada pela 1ª vez.
“Essa diretriz confere mais efetividade às condicionantes propostas pela área técnica, pois desloca a obrigação da operadora de uma mera avaliação futura de alternativas para apresentação de um plano de desenvolvimento revisado que incorpore solução objetiva para o escoamento de gás com indicação de equipamentos, infraestrutura, cronograma de implantação e data prevista para o início da exportação”, ressaltou Araújo.
Na proposta apresentada pela Shell, a reinjeção do gás seria 100% a partir do primeiro óleo, alegando que exportá-lo desde o início da produção poderia gerar um impacto negativo na recuperação do óleo. A companhia estipulou que a reanálise da possibilidade de transportar gás pode acontecer três anos após o primeiro óleo ou dois anos depois da perfuração do último poço.
A ANP solicitou uma análise de sensibilidade do comportamento do reservatório e constatou que foi possível estimular um ponto ótimo para o início de exportação de gás natural entre os anos de 2035 e 2040, com impacto mínimo na produção do reservatório.
A análise da agência concluiu que reinjetar o gás desde o primeiro óleo favorece a recuperação de condensado e, a partir de 2035, a exportação de gás passa a beneficiar a produção da jazida. Sobre o escoamento, a viabilidade está relacionada à disponibilidade de capacidade.
A Shell iniciou tratativas com a Petrobras para avaliar a disponibilidade e contratação de capacidade do sistema integrado de escoamento. A simulação apresentada pela estatal mostrou disponibilidade a partir de 2038.
A partir disso, a ANP entendeu as justificativas da Shell e concordou sobre reinjetar 100% o gás, mas impondo que a revisão seja um compromisso firme, ao invés de somente uma avaliação.
Projeto prevê a perfuração total de 11 poços
Para este projeto, a estimativa de produção é de 800 milhões de barris. A previsão para o desenvolvimento da jazida é realizar a perfuração de 11 poços, sendo cinco produtores (quatro já foram perfurados), quatro injetores de gás e dois injetores de água.
Já o mecanismo de produção secundário será por meio da reinjeção do gás produzido e da reinjeção de água. O FPSO previsto terá capacidade de 120 mil bbl/d de óleo, com flexibilidade para permitir adaptações para exportar gás quando for possível o aproveitamento.
Segundo o PD, o primeiro óleo está previsto para 2029, momento em que iniciará também a injeção de gás e água.
Gato do Mato é uma descoberta de gás-condensado no pré-sal que abrange dois blocos contíguos: BM-S-54, um contrato de concessão assinado em 2005, e Sul de Gato do Mato, um contrato de partilha obtido em 2017. O consórcio é composto pela Shell (operadora, com 50%), em parceria com a Ecopetrol (30%) e a recém-chegada Kufpec (20%), além da PPSA.
Fonte: Brasil Energia