Notícias | 4 julho, 2026
Navio da CMA CGM será abastecido com etanol em Santos
Danilo Oliveira
A CMA CGM e a Copersucar realizam, no próximo dia 10 de julho, no Porto de Santos (SP), o abastecimento de um porta-contêineres com etanol no Brasil. A empresa do setor de biodiesel considera que a operação é pioneira e representa um marco para a descarbonização do transporte marítimo, ao demonstrar o potencial do etanol como combustível de baixa intensidade de carbono, com capacidade de atender à demanda do setor em escala.
Portos e Navios apurou que o navio será o CMA CGM Iron, que partiu de Singapura no último dia 19 de junho, e tem previsão de chegada a Santos na manhã da próxima quinta-feira (9). De acordo com as últimas informações da plataforma Marine Traffic, o navio, com a bandeira de Malta, se encontra nas proximidades da costa da África do Sul.
O navio dual fuel, que compõe a ‘frota verde’ da CMA CGM, pode operar movido a metanol e combustíveis alternativos. Com capacidade de 13.000 TEUs, o cargueiro foi construído no estaleiro Hyundai Samho Heavy Industries, em Mokpo, na Coreia do Sul, e entregue ao armador em março de 2025. A empresa de navegação considera essa embarcação parte dos esforços para zerar as emissões (Net Zero) até 2050.
O bunkering será realizado no Tecon Santos, operado pela Santos Brasil, que é controlada pelo grupo CMA CGM. De acordo com a Copersucar, mais informações sobre a operação serão divulgadas posteriormente. O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) verifica projetos avançados para o uso de etanol na navegação e novos editais para bunker sustentável previstos para 2026.
Há cerca de um mês, um porta-contêineres bicombustível da Maersk realizou em Roterdã, na Holanda, uma operação de abastecimento com combustível marítimo composto por 100% de etanol. A operação ocorreu no contexto de uma série de ensaios que a empresa dinamarquesa vem conduzindo com misturas de metanol e etanol em navios equipados com motores bicombustível.
Na ocasião, a armadora informou que os testes com etanol sucedem uma primeira fase de experimentos com metanol verde em navios como o Laura Mærsk e integram a estratégia de ampliar o leque de combustíveis de menor intensidade de carbono que possam ser usados em navios já projetados para operar com metanol.
O avanço desses testes e operações é acompanhado com interesse por agentes ligados à indústria sucroenergética e ao transporte marítimo, que enxergam potencial para o biocombustível ganhar espaço como alternativa renovável em rotas internacionais. O Brasil é o maior produtor mundial de etanol de cana-de-açúcar.
A avaliação é que um eventual uso do etanol como parte do portfólio de e-combustíveis marítimos pode abrir oportunidade para exportadores brasileiros e para terminais portuários com capacidade de armazenagem e manuseio de biocombustíveis, em especial em corredores que já concentram embarques para Europa e Ásia.
Em outubro do ano passado, a Maersk, a fabricante de motores Everllance (antiga MAN Energy Solutions) e os produtores de etanol Inpasa, FS, Raízen, Atvos e a própria Copersucar, apresentaram uma declaração conjunta sobre a necessidade de uma abordagem multifuncional para a descarbonização do transporte marítimo. Na ocasião, o grupo ressaltou que o setor pode contribuir com a indústria naval com tecnologias e combustíveis que permitirão o desenvolvimento de embarcações para que o setor marítimo atinja suas metas climáticas.
No documento, as partes citaram o etanol, amplamente usado em outros modais, como um dos combustíveis alternativos que justificam uma avaliação técnica e regulatória mais aprofundada. Para o transporte marítimo, a escala de produção existente do etanol foi definida como vantagem, com potencial de fornecer uma terceira opção de combustível para motores a metanol, de combustível duplo (dual fuel), por exemplo. À época, os participantes já informavam que testes recentes indicaram a viabilidade técnica de abastecer esses motores com etanol, ressaltando a importância do desenvolvimento e exploração contínuos.
Nota da Redação: Matéria atualizada para acréscimo de informações.
FONTE: PORTOS E NAVIOS