Notícias | 4 julho, 2026
PD de Gato do Mato é adiado por dúvidas no escoamento de gás
Por Fernanda Legey
A ANP adiou, nesta sexta-feira (26), a deliberação sobre o plano de desenvolvimento da jazida compartilhada de Gato do Mato (Orca e Orca Sul). Os diretores Pietro Mendes e Symone Araújo pediram para prorrogar a decisão por dúvidas em relação ao sistema de escoamento do projeto, já que a Shell não definiu um prazo para a exportação realmente acontecer após o primeiro óleo.
De acordo com Mendes, o sistema tem uma estimativa de produção que muitas vezes não se confirma, o que pode dificultar a oferta de gás natural. Além disso, entende que o assunto está integrado à pauta das obras de adequação da Unidade de Processamento de Gás Natural de Caraguatatuba (UTGCA) para tratamento do gás natural nos moldes da Resolução ANP nº 982/2025.
“A própria perda VPL relacionada ao escoamento do gás pode estar relacionada a uma deficiência na nossa regulação do sistema de escoamento e do sistema de processamento”, explicou o diretor, informando que vê uma interconexão nos temas também como justificativa para pedir vistas no processo.
No caso de Gato do Mato, o que preocupou Symone Araújo foi o prazo de quando será reapresentado o PD, além da “expectativa inicial de um eventual aproveitamento do gás em face da disponibilidade da Rota 2”.
O diretor-relator, Daniel Maia, leu o relatório sobre o PD, apesar do pedido de vistas, e, segundo o documento, o primeiro óleo está previsto para fevereiro de 2029, momento em que iniciará também a injeção de gás e água.
A Shell justificou a injeção por ser importante nos primeiros anos de produção. Também apontou que exportar o gás desde o início da produção poderia gerar um impacto negativo na recuperação do óleo. Com isso, a recuperação acumulada poderia ser de apenas 324 milhões de barris.
A companhia estipulou que a reanálise da possibilidade de transportar gás pode acontecer três anos após o primeiro óleo ou dois anos depois da perfuração do último poço.
A Superintendência de Desenvolvimento e Produção (SDP) analisou o caso e recomendou aprovar o PD, mas condicionou que a Shell apresente a revisão do PD até 31 de dezembro de 2032, incluindo a exportação do gás produzido pela jazida “dentro do horizonte óbvio de recuperação de hidrocarbonetos e de disponibilidade da infraestrutura de escoamento”.
A estimativa de produção é de 800 milhões de barris. A previsão para o desenvolvimento da jazida é realizar a perfuração de 11 poços, sendo cinco produtores (quatro já foram perfurados), quatro injetores de gás e dois injetores de água.
O FPSO previsto terá capacidade de 120 mil bbl/d de óleo, com flexibilidade para permitir adaptações para exportar gás quando for possível o aproveitamento.
Gato do Mato é uma descoberta de gás-condensado no pré-sal que abrange dois blocos contíguos: BM-S-54, um contrato de concessão assinado em 2005, e Sul de Gato do Mato, um contrato de partilha obtido em 2017. O consórcio é composto pela Shell (operadora, com 50%), em parceria com a Ecopetrol (30%) e a recém-chegada Kufpec (20%), além da PPSA.
FONTE: BRASIL ENERGIA