Notícias | 4 julho, 2026

Femar, Abac e Syndarma formalizam parceria para ampliar formação de oficiais mercantes

Danilo Oliveira

A Fundação de Estudos do Mar (Femar) formalizou, nesta sexta-feira (26), a parceria com a Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (Abac) e o Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma) para a realização do Curso de Adaptação para Segundo Oficial de Náutica (ASON). A iniciativa prevê uma formação inicial de 40 alunos indicados pelas duas entidades, contribuindo para a ampliação da oferta de profissionais qualificados para atuar na navegação brasileira. A cerimônia de assinatura dos contratos ocorreu na Escola de Guerra Naval (EGN), no Rio de Janeiro.

Atualmente, a Femar é a única instituição do país credenciada pela Diretoria de Portos e Costas (DPC) da Marinha do Brasil para ministrar o curso de ASON. Também há expectativa de que, em breve, a Femar consiga um outro credenciamento para formação do curso para adaptação a segundo oficial de máquinas (ASOM), cuja carência é considerada pelas empresas brasileiras de navegação (EBNs) maior do que a de profissionais de náutica.

O diretor executivo da Abac, Luis Fernando Resano, disse que a parceria é uma resposta do setor privado às dificuldades que a Marinha enfrenta para a aplicação dos recursos do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Profissional Marítimo (FDEPM), que geram carência de oficiais para cabotagem, apoio marítimo e demais modalidades de navegação. “É uma quebra de paradigma no setor privado, que está investindo para ter mão de obra qualificada e de alta qualidade. (…) Essa ‘abertura’ para podermos desenvolver esse contrato é um passo importante para continuarmos crescendo. O crescimento da cabotagem é significativo”, ressaltou Resano.

O vice-presidente executivo do Syndarma/Abeam, Dino Batista, acrescentou que, apesar da excelência técnica por parte da Marinha, existe uma dificuldade sempre presente relacionada aos recursos do FDEPM que, muitas vezes, enfrenta barreiras para entrar no orçamento da autoridade marítima. “Entendemos todas as dificuldades orçamentárias que existem, achamos que é papel do setor privado apoiar a formação de marítimos com a premissa de que a excelência da formação tem que ser mantida. Só vamos conseguir mantendo a Marinha à frente fazendo credenciamento das instituições que vão ministrar os cursos”, analisou.

Batista chamou a atenção para o crescimento da demanda por marítimos associado à expansão da cabotagem e do setor de petróleo, sem falar nas novas fronteiras e atividades de exploração no mar que estão no horizonte. “Estamos num momento em que, depois do BR do Mar, temos percebido aumento da cabotagem. É ótimo, mas traz demanda maior de marítimos. E, no apoio marítimo, temos uma perspectiva gigantesca, com a retomada dos processos no Sudeste /Bacia de Campos e com a Margem Equatorial”, destacou.

Nessa turma pioneira do curso de ASON, prevista para começar em outubro deste ano, seis empresas filiadas à Abac vão selecionar 23 alunos e associadas do Syndarma vão indicar outros 17 alunos que poderão trabalhar nessas empresas após a formação. A Abac avalia que outras instituições podem buscar para ministrar cursos de ASON/M na modalidade Extra-Prepom (Programa do Ensino Profissional Marítimo), sem recursos do Ensino Profissional Marítimo, conforme as normas da autoridade marítima.

Poucos dias após a divulgação dessas 40 vagas, representantes dos marítimos cobraram mais transparência em relação aos critérios de seleção, por parte das empresas, sobre quem poderá ingressar nessa formação. O Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante (Sindmar) alega que várias inscrições foram rejeitadas desde a abertura e defendeu que haja uma avaliação prévia da Marinha para que os armadores possam selecionar, dentre esses aprovados, quem terá direito às bolsas no curso.

O diretor executivo da Abac ressaltou que as empresas vêm divulgando processos seletivos e que cada uma vai escolher o número dos que vão entrar. “O processo de seleção fica a critério de cada empresa. Elas estão contratando um funcionário como qualquer outro. O perfil é de acordo com o que cada empresa define. A única exigência da Normam é que [o candidato] tenha nível superior”, afirmou Resano.

A Femar teve credenciamento para cursos ASON e ASOM entre 2011 e 2014, porém a vigência expirou. O presidente da Femar, almirante Marcelo Francisco Campos, destacou à Portos e Navios que a instituição já formou um número relevante de profissionais nesses dois cursos que continuam no mercado e bem avaliados. “O credenciamento da Marinha é rigoroso e permanecer credenciado é um desafio grande. Com profissionalismo e dedicação, vamos manter esse credenciamento”, disse Campos.

Em relação ao novo credenciamento para cursos ASOM, Campos contou que a Femar submeteu uma proposta de currículo para que a Marinha avalie a possibilidade de adaptação da grade ao perfil dessa formação, que é direcionada às empresas. Ele deu exemplo de um candidato formado em Engenharia Mecânica que poderia reduzir etapas no curso ASOM. “Estamos fazendo isso, pegando o curso de Engenharia Mecânica, batendo o currículo atual e fizemos proposta de retirar algumas matérias em função deles já terem visto essas matérias no curso de graduação”, explicou.

Ele adiantou que a Femar vai inaugurar este ano uma outra filial no Rio de Janeiro (RJ), para onde vai a parte administrativa da instituição, concentrando a sede atual para as aulas e para simuladores, como o de passadiço adquirido recentemente. “Parte da Femar administrativo vai ficar no Centro e deixaremos a escola técnica com mais espaço para que ela possa realizar outros cursos, quiçá o ASOM de máquinas”, no futuro próximo”, projetou Campos.

O vice-almirante André Macedo, diretor de portos e costas da Marinha do Brasil, disse que a DPC está sempre aberta a dialogar com o setor e que a formação de oficiais está dentro dos desafios macro do setor diante da expansão das atividades na costa brasileira. Ele estima que o curso ASON tenha condição de reduzir, de 5 para 3 anos, o tempo de entrega de novos oficiais para o mercado de trabalho. “Nossas escolas têm feito um esforço grande, mas o tempo de formação que temos é de aproximadamente cinco anos. (…) É importante o que a iniciativa privada e a Femar estão fazendo para que tenhamos o maior número de pessoal capacitado para trabalhar pelo Brasil e para Brasil”, afirmou.

Macedo relatou que a Marinha busca recursos para investir em algumas oficinas e laboratórios para novos cursos de ASOM. Ele acrescentou que a autoridade marítima está aberta às instituições que tenham interesse em se cadastrar para tentar obter esse tipo de certificação. “A Marinha com sua estrutura vai verificar se elas têm condições efetivamente de formar no padrão que precisamos para o nosso país”, salientou.

FONTE: PORTOS E NAVIOS