Notícias | 30 outubro, 2026

Estaleiros aproveitam mercado aquecido, demandas por modernização de embarcações e serviços especializados

Atividades de reparo, docagem e manutenção movimentam a indústria naval e estaleiros de diferentes portes pelo Brasil. O aquecimento do mercado offshore, as adaptações e modernizações de embarcações requerem serviços cada vez mais especializados e que atendam às exigências de armadores e petroleiras em seus ativos. A descarbonização do setor marítimo agregou novas soluções e levou as empresas de navegação a investirem em eficiência e redução de emissões a bordo.

A demanda contribuiu para o aumento do número de trabalhadores no setor e é importante para a manutenção dessa mão de obra para futuros projetos.

O presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha, afirma que o setor de reparo naval continua com muitas obras de modernização e conversão de embarcações. “É um segmento muito resiliente que sobreviveu a todas as crises que nossa indústria enfrentou em toda a sua história de 70 anos”, destacou Rocha, durante a abertura da Navalshore 2026.

Ele acrescenta que o país já abriu uma nova frente. “Também iniciamos as atividades de desmantelamento e reciclagem de embarcações e de estruturas marítimas. O FPSO P-32 já foi reciclado e agora está ocorrendo o desmantelamento do P-33 no estaleiro Ecovix”, comenta Rocha.

Para o Sinaval, o incremento dessas atividades, aliado sobretudo à retomada da construção naval, impulsionou o número de trabalhadores em estaleiros nacionais, que ultrapassou 86 mil profissionais em julho. “Todas essas obras de construção, reparação e desmantelamento já em execução e as demais que ainda estão sendo planejadas representam oportunidades importantes de crescimento do número de empregos qualificados e de desenvolvimento tecnológico, tanto nos estaleiros quanto na indústria fornecedora”, aponta Rocha.

O Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Ipojuca (PE), atingiu a marca de 90 reparos nos últimos cinco anos. A avaliação do EAS é que a marca é bastante expressiva para um estaleiro que, com um dique e suas demais instalações, vem conseguindo diversificar os tipos de embarcações atendidas. O portfólio já abrange conteineiros, graneleiros, navios de químicos, petroleiros, gaseiros e barcos de apoio marítimo, e, nos últimos dois anos, cresceu o atendimento a embarcações especiais e a ativos offshore.

O CEO do EAS, Roberto Brisolla, considera que esse período foi importante para o estaleiro atingir níveis de eficiência técnica maiores, atendendo às exigências de prazo, qualidade e compliance. “Em cinco anos, nos consolidamos como principal e o melhor estaleiro de reparo do Brasil, atendendo o mercado de cabotagem e diversos navios especiais e com altos níveis de excelência, segurança e qualidade, superando o desafio da distância”, diz Brisolla.

Além dos navios mercantes e barcos de apoio, o EAS docou plataformas do tipo flotel e atracou uma jack-up rig para upgrade em 2025. A unidade autoelevável pertence à egípcia Ades, uma das maiores operadoras desse tipo de unidade de perfuração e tamponamento de poços do mundo, com operações em campos exploratórios na região do Oriente Médio. “A expectativa nossa agora é continuar recebendo embarcações dessa empresa. Tal foi o nível de satisfação deles”, conta o diretor do estaleiro, Leo Delarole.

O EAS também segue atento às demandas dos navios aliviadores (shuttle tankers) que operam em águas jurisdicionais brasileiras (AJB). Os aliviadores que operam para o sistema Petrobras/Transpetro são navios que fazem, principalmente, o trajeto plataforma-costa e não trafegam no longo curso. “São navios que, preferencialmente, deveriam docar aqui no Brasil, mas têm ido para a Europa por falta de alternativas”, observa Brisolla.

No final de 2024, o EAS docou um dos navios da frota de shuttle tankers, que tem entre 40 e 50 embarcações operando no Brasil. “É uma frota importante. Evita todo esse deslocamento para Europa ou Ásia sem carga. A ineficiência de fazer uma docagem fora é muito grande por esse deslocamento”, avalia o CEO do estaleiro.

Ele afirma que o EAS atingiu um nível de produtividade no reparo similar ou superior ao de alguns estaleiros europeus. “Com os asiáticos é mais difícil de competir, sabemos que a China tem um custo baixíssimo, por vários fatores. Então, buscamos os [armadores] que fazem cabotagem. Praticamente já docamos toda a frota de cabotagem do Brasil de navios acima de 150 metros”, destaca Brisolla.

Entre os navios de cabotagem de contêineres atendidos estão os de empresas como Aliança, Log-In e Mercosul Line. Para Brisolla, o estaleiro alcançou uma eficiência no reparo que contribuiu para elevar a satisfação dos clientes. “É preciso ser muito ágil, temos que fazer a engenharia rapidamente e a substituição das chapas. Muita coisa você descobre só com o navio no dique”, explica o CEO do estaleiro.

O efetivo do EAS tem cerca de 500 trabalhadores fixos, chegando a mil profissionais, dependendo da complexidade e da quantidade dos serviços simultâneos, que vão desde pintura e tratamento de convés até parte mecânica e troca de tubulações e válvulas. Brisolla ressalta que o estaleiro utiliza mão de obra própria e local e que está constantemente reciclando e recapacitando os trabalhadores.

Delarole percebe que a evolução dos reparos no EAS nesses cinco anos também contribuiu para a reativação da base local de fornecedores de navipeças e de serviços em Pernambuco. “Com a nossa operação de reparo, fomentamos a cadeia de supply chain. Hoje, temos com facilidade compra e disponibilidade de material e peças para os navios”, afirma o diretor.

No último ano, a Renave (Empresa Brasileira de Reparos Navais) realizou a docagem e reparação geral do navio-tanque Gastão Motta, da Marinha do Brasil, além do PLSV Skandi Niterói, da DOF Subsea, dentro de um contrato de docagem e reparos de várias embarcações da DOF. O estaleiro também recebeu para atracação e reparos o Mercosul Guarujá, da Mercosul Line, bem como o reparo de avaria do Maersk Katalin, dentre outras embarcações. “Sempre fomos e seremos ícone na reparação naval no continente, 100% voltado a esta atividade e com experiência e capacidade ímpares”, enfatiza o superintendente da Renave, Luiz Eduardo Campos de Almeida.

Ele confirmou que o Estaleiro Renave recebeu o AHTS Skandi Amazonas, embarcação da DOF que encalhou em maio, em Macaé, no norte fluminense. “Após a eventual venda da embarcação, daremos todo o apoio necessário ao novo proprietário no que for necessário”, diz o superintendente.

Na avaliação da Renave, a demanda por conversões e modernização de embarcações, sobretudo no segmento de barcos de apoio marítimo, ainda é incipiente. Almeida considera que a tributação excessiva e a escassez de mão de obra especializada são os maiores desafios para a atividade de reparo no Brasil.

A Renave afirma que vem investindo na aquisição de equipamentos e em infraestrutura, com atendimento a todo tipo de embarcação e, recentemente, com ênfase nos barcos de apoio offshore. “Tivemos um ano de muito trabalho, com o vislumbre de desaquecimento do mercado para os próximos meses, talvez por questões políticas”, analisa o superintendente.

A alemã TKMS ingressou no mercado brasileiro de manutenção e reparo naval por meio da TKMS Dock, em Itajaí (SC). A unidade foi criada para oferecer serviços de manutenção e reparo de embarcações, aproveitando a infraestrutura, a experiência e as competências técnicas desenvolvidas pelo grupo no Brasil. A TKMS Dock dispõe de um dique flutuante com capacidade para embarcações de até 4,5 mil toneladas de deslocamento, além de um portfólio de serviços que inclui limpeza técnica do casco, jateamento e pintura das obras vivas e obras mortas, reparos estruturais, serviços mecânicos, conversões e retrofit, entre outros serviços especializados.

A TKMS Dock atende embarcações civis e militares, oferecendo serviços de manutenção e reparo de acordo com as necessidades de cada cliente e tipo de embarcação. “As operações da TKMS Dock foram iniciadas e, neste momento, a empresa já está em tratativas com clientes para a prestação de serviços de manutenção e reparo naval”, conta oCEO da TKMS Brasil, Paulo Alvarenga.

O primeiro contrato da TKMS Dock foi assinado com a Saam Towage, empresa especializada em serviços de rebocagem e operações marítimas, com presença em diversos países das Américas. O contrato abrange a docagem e manutenção do rebocador Antares, incluindo serviços de manutenção de casco, pintura, sistemas de refrigeração, válvulas, tanques e outros trabalhos necessários para a embarcação.

O dique flutuante foi adquirido pela TKMS em junho de 2024, inicialmente para apoiar o lançamento e docagem das fragatas da classe Tamandaré, da Marinha do Brasil. Com a criação da TKMS Dock, a estrutura passa também a ser utilizada para as atividades de manutenção e reparo naval. O CEO explica que, por se tratar de uma empresa de capital aberto na Europa, a TKMS segue regras específicas de divulgação de informações ao mercado e não pode divulgar os investimentos realizados na estrutura e nos equipamentos da TKMS Dock.

Alvarenga destaca que a TKMS Dock conta com uma área segregada e dedicada às atividades de manutenção e reparo naval, com entrada e saída independentes, destinada ao atendimento das embarcações dos clientes que contratarem seus serviços. “As operações são planejadas e coordenadas de forma a garantir que os serviços da TKMS Dock não interfiram nas atividades do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), que seguem normalmente no estaleiro”, afirma o executivo.

Inicialmente, a TKMS Dock utilizará a mão de obra já disponível no estaleiro, aproveitando a experiência e a qualificação dos profissionais que já atuam na operação. Segundo Alvarenga, essa estrutura poderá ser ajustada de acordo com a evolução da demanda e das necessidades dos projetos.

Com o mercado de reparação naval no Brasil concentrado majoritariamente no estado do Rio de Janeiro, a TKMS identificou uma oportunidade estratégica na região Sul, que demanda alternativas locais viáveis para atender às frotas de apoio portuário, apoio offshore, pesca de grande porte, carga geral e carga de projeto. “O Sul concentra um dos maiores fluxos de exportação do país, o que justifica e impulsiona a exploração desta atividade”, destaca Alvarenga.

Ele considera que o principal diferencial competitivo da TKMS está no fato de o estaleiro de construção naval estar em plena atividade. Para ele, a infraestrutura consolidada e as disciplinas de suporte agregam alto valor à prestação de serviços. Também menciona que a empresa conta com departamentos próprios de engenharia, planejamento e qualidade para respaldar todas as operações, além de uma ampla rede de fornecedores homologados, tanto no mercado nacional quanto no internacional.

“Essa robustez estrutural nos posiciona de forma privilegiada frente aos concorrentes, permitindo-nos mobilizar nossa capacidade técnica em tempo real (just in time). Como resultado, elevamos o padrão de excelência dos nossos serviços, garantindo tecnologia avançada, ampla experiência e máxima segurança operacional”, diz Alvarenga.

O Rio de Janeiro é o estado que concentra o maior parque naval do país, reunindo 24 dos 49 estaleiros brasileiros e 66 mil dos 181 mil empregos relacionados às atividades navais. O estado também concentra 82% das plataformas marítimas em operação no Brasil, consolidando-se como principal polo da atividade naval e offshore. Os dados são da 7ª edição do Panorama Naval no Rio de Janeiro, publicação da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que foi apresentada na Navalshore 2026.

Durante o lançamento, o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, destacou que a indústria naval é uma das principais responsáveis por expandir as fronteiras da economia fluminense, permitindo o acesso a novos mercados internos e externos. Ele também ressaltou o protagonismo da atividade no desenvolvimento do estado e trouxe números do estudo que comprovam as diversas oportunidades no segmento.

“O mapeamento aponta o total de mais de duas mil empresas fornecedoras de bens e serviços ligadas ao encadeamento produtivo naval, o que reforça a importância do estado para a indústria do país. Até por volta de 2031, temos mais de 20 plataformas a serem entregues, além das oportunidades que se multiplicam no reparo e manutenção das 77 plataformas em operação e das 475 embarcações de apoio, responsáveis pelo suporte das operações marítimas”, afirmou Caetano.

Até voltar a ser contratado para projetos de construção naval e offshore, o Estaleiro Mauá vai continuar a focar no reparo e em docagens, com atendimento aos armadores e possibilidade de modificações e upgrades de embarcações. Nos últimos anos, a instalação do grupo na Ponta D’Areia, em Niterói (RJ), tem se concentrado em atividades de docagem, reparos e serviços diversificados para embarcações que trafegam nas proximidades da Baía de Guanabara, principalmente do segmento offshore.

O CEO do Mauá, Miro Arantes, diz que o estaleiro vem realizando conversões de barcos de apoio, que é uma demanda constante devido às especificações operacionais da Petrobras e demais operadoras para as empresas de apoio marítimo. Em 2026, o estaleiro foi certificado segundo os padrões de qualificação de pintura da norma Norsok. Outra aposta foi uma cabine de pintura para atender a parte de estruturas offshore, concentradas nas instalações da Ilha da Conceição. O estaleiro também voltou a ter uma escola de solda para capacitar seus profissionais.

Além dos estaleiros tradicionais de construção e reparação naval, empresas de outros segmentos vêm apostando em atividades de reparo. É o caso da ICTSI, que, em agosto, apresentou os próximos passos da expansão da Rio Brasil Terminal (RBT), terminal arrendado no Porto do Rio, e a estratégia para a área do antigo estaleiro Inhaúma adquirida em 2024, onde será implantado um terminal de uso privado (TUP). O TUP contribuirá para o aumento da capacidade para movimentação de contêineres e para a diversificação de negócios do grupo filipino, ingressando em atividades ligadas à indústria naval, como reparos, desmantelamento e base de apoio offshore.

A CLIP – Companhia Logística Industrial do Porto, no bairro do Caju, é o projeto da ICTSI que amplia a atuação do grupo nos segmentos offshore e industrial no Rio de Janeiro. O empreendimento contará com 171 mil metros quadrados e reforça a estratégia de crescimento da companhia no estado. O grupo adquiriu 321 mil m² dos 420 mil m² da área do antigo estaleiro Inhaúma, onde implantará o terminal de uso privado.

Parte desse TUP receberá instalações administrativas da área arrendada no porto organizado, permitindo a próxima etapa da expansão do pátio de contêineres. Na área concedida pela autoridade portuária, a empresa investirá R$ 948 milhões em aumento da capacidade, conforme anunciado em 2025.

O CEO da RBT, Roberto Lopes, explica que, para a integração dos pátios, a empresa investiu na nova área para transferir as instalações que não são operacionais, como prédios, escritórios, vestiários e refeitórios. A transferência das instalações não operacionais permite o início das obras de integração dos pátios do terminal concedido, parte do Termo de Risco de Investimento (TRI) assinado com o Ministério dos Portos e Aeroportos (MPor) em novembro de 2025. “Fizemos a aquisição dessa área de 321 mil m², em 2024, e começou um processo de revitalização porque era uma área que estava parada há mais de 10 anos. O antigo estaleiro ficou mais de 10 anos sem atividade”, diz Lopes.

O executivo diz que a RBT apostará na oferta de atividades de estaleiro, principalmente para reparos e desmantelamento de plataformas, além de atender o mercado de petróleo e gás e apoio offshore. Antigos armazéns sem utilidade, em mais de 80 mil m², foram removidos, e a área foi transformada em pátio. “Parte dele vai ser para aumentar ainda mais a capacidade, levando o terminal para uma capacidade de 1,2 milhão de TEUs por ano lá em 2031. E o outro lado a gente vai dedicar para construir uma área industrial e para óleo e gás”, detalha Lopes. Atualmente, a capacidade instalada é de aproximadamente 500 mil TEUs.

A OceanPact concluiu, no final de agosto, a compra do controle da Dock Brasil, que havia sido anunciada em julho. A operação ocorreu por meio da Estaleiro Farol de São Tomé, subsidiária integral do grupo, que celebrou contrato para a aquisição de 100% das ações. A Dock Brasil atua em reparo e docagem de embarcações, sobretudo por meio do estaleiro de mesmo nome, em São Gonçalo (RJ). O grupo OceanPact informa que espera ampliar sua capacidade de prestação de serviços de reparo, manutenção e docagem de embarcações, tanto para a frota própria da companhia quanto para terceiros.

Em contrapartida à compra e venda das ações de emissão da Dock Brasil, a São Tomé se comprometeu a pagar um preço-base livre de dívidas financeiras e de caixa de aproximadamente R$ 119 milhões, sujeito a atualização e ajustes usuais em operações desta natureza e a mecanismos de retenção de preço para garantia das obrigações de indenização acordadas no contrato. Em comunicado ao mercado, a OceanPact havia informado que a conclusão da operação ocorreria após a verificação de condições suspensivas usuais nesse tipo de operação, incluindo a prévia reestruturação e extinção de determinados endividamentos da Dock Brasil.

Num passado recente, a Log-In teve uma experiência frustrante com a construção de navios no Brasil, que não chegaram a ser entregues ou sofreram atrasos. Apesar de descartar a construção de navios para sua frota no país, a empresa enxerga muito potencial no segmento de reparo. “Este ano, docamos dois navios no Brasil, no estaleiro EAS. E será muito necessário, pois a frota brasileira cada vez cresce mais e sair do país para fazer docagem encarece os custos”, comentou o diretor-executivo de navegação da Log-In Logística Integrada, Felipe Gurgel, em entrevista à Portos e Navios. Atualmente, a frota da Log-In é composta por nove navios, sendo sete próprios e dois afretados.

A empresa brasileira de navegação concluiu a docagem do navio Log-In Endurance, embarcação que integra sua frota de cabotagem e Mercosul, conectando portos de Manaus (AM) a Buenos Aires, na Argentina. O processo, realizado no EAS, durante o segundo trimestre, faz parte da estratégia de modernização da frota da companhia, reunindo manutenção preventiva, atualização tecnológica, adequações regulatórias e iniciativas voltadas ao aumento da eficiência energética das embarcações.

Segundo a Log-In, o escopo da docagem incluiu uma série de intervenções estruturais e operacionais, como tratamento e pintura do casco e das tampas de porão, além da manutenção de motores elétricos, bombas, válvulas, sistemas de propulsão e governo.

O Endurance passou por modernizações nos sistemas de navegação do passadiço, reforçando o processo de padronização tecnológica da frota.

Entre as iniciativas, destaque para a aplicação de pintura com silicone no hélice, tecnologia já adotada em outras embarcações da companhia, que melhora a hidrodinâmica do propulsor e contribui para uma navegação mais eficiente. O navio recebeu, ainda, retrofits voltados à melhoria da eficiência energética, além da renovação quinquenal das certificações de classe, essenciais para assegurar a conformidade regulatória e a segurança das operações.

De acordo com o diretor de operações da Log-In Logística Integrada, Mauricio Trompowsky, a modernização do Endurance integra um plano permanente de fortalecimento da operação da companhia. “A docagem representa um investimento contínuo na confiabilidade e na evolução da nossa frota. Além de garantir a conformidade operacional da embarcação, incorporamos melhorias que contribuem para uma operação mais eficiente, sustentável e preparada para atender às demandas atuais da logística brasileira”, destaca o executivo.

Segundo o diretor-executivo de navegação, Felipe Gurgel, a modernização do Log-In Endurance traz impactos diretos para a experiência dos clientes da companhia. “Ao investir na atualização da nossa frota, aumentamos a confiabilidade das operações e reforçamos a segurança das cargas transportadas, visando garantir maior continuidade dos serviços. A embarcação foi a segunda da frota a passar, recentemente, pelo processo, enquanto outras seguem em docagem”, conclui o executivo.

Além da construção naval, o Fundo da Marinha Mercante (FMM) pode financiar projetos de reparo, docagem, modernização, jumborização e conversão de embarcações. Entre 2023 e 2025, o Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM) priorizou a docagem de 54 embarcações de apoio marítimo no montante de R$ 837,8 milhões. Nesse período, o conselho também deu prioridade a R$ 858,9 milhões para modernização e conversão de 47 embarcações de apoio offshore. Considerando apenas a frota de apoio marítimo que opera em AJB, existe a previsão de docagem de classe de mais de 350 embarcações entre 2026 e 2030.

A Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac) alerta para a necessidade de prorrogação da não incidência do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), que expira no começo do ano que vem. A regra, que tem vigência garantida até o próximo dia 7 de janeiro de 2027, gera recursos depositados em contas vinculadas que são utilizados pelas empresas brasileiras de navegação (EBNs) na manutenção, docagem e reparo de embarcações em estaleiros nacionais.

Caso essa regra não seja novamente prorrogada, passarão a incidir as alíquotas de 8% na cabotagem e de 40% no transporte de granéis líquidos na navegação interior. Com a volta da cobrança, os armadores tendem a repassá-la para o preço final, já que as empresas precisam desse recurso para a manutenção, docagem e reparo de suas embarcações.

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 80/2026, que prorroga o prazo de vigência da não incidência do AFRMM, recebeu pedido de urgência de tramitação na Câmara. O deputado Júnior Ferrari (PSD-PA), relator do PLP 80/2026, apresentou, em agosto, parecer preliminar favorável à prorrogação da vigência da não incidência do AFRMM até 8 de janeiro de 2032. O texto do substitutivo, que precisa passar pelo plenário da Câmara, prorroga por cinco anos a não incidência do AFRMM nas navegações de cabotagem, interior fluvial e lacustre, desde que a origem ou o destino seja porto localizado nas regiões Norte ou Nordeste.

Em seu pedido de urgência de tramitação do PLP 80/2026, o deputado federal Capitão Alden (PL-BA) destacou que a indefinição sobre a prorrogação gera instabilidade no planejamento logístico e nos investimentos produtivos, com impactos diretos sobre cadeias produtivas relevantes. O autor do requerimento chamou a atenção para o fato de que a não incidência do AFRMM cumpre papel essencial para reduzir os elevados custos logísticos característicos das regiões Norte e Nordeste, decorrentes de fatores geográficos e estruturais.

Brisolla, do EAS, considera relevante a possibilidade de as empresas de navegação obterem recursos do FMM para reparos, porém entende que essa alternativa, por si só, não é suficiente para a tomada de decisão do cliente em relação a docar no Brasil. “O FMM acaba sendo um fator decisório para o cliente quando ele compara. Mas, se ele não tiver um estaleiro no qual ele confie e acredite que vai ter uma boa obra no prazo, preço e qualidade, ele não mudaria somente pelo FMM”, analisa o CEO do estaleiro.

O executivo ressalta que o EAS vem mantendo as instalações em boas condições de trabalho e que essa operação de reparo também tem contribuído para manutenção do ativo, deixando-o preparado inclusive para outras obras que o estaleiro venha a fazer futuramente. “Armadores têm navios operando aqui na costa brasileira, seja os shuttle tankers, sejam outros navios. Temos buscado, cada vez mais, atrair esses clientes para fazer reparos aqui”, resume Brisolla.

A TSA Holding teve um ano de demanda relevante, acompanhado de mais exigência quanto a prazo, planejamento e integração dos serviços. O diretor da TSA, Pedro Schlegel, diz que os armadores precisam reduzir o tempo de embarcação parada e buscam parceiros capazes de coordenar engenharia, apoio logístico e execução com agilidade. Para a empresa, esse cenário reforça o valor da atuação conjunta das unidades de negócio do grupo.

“Esperamos oportunidades em manutenção programada, reparos molhados e intervenções necessárias para manter as embarcações disponíveis e em conformidade com suas exigências técnicas e de classe. Também vemos espaço para soluções mais integradas, nas quais o cliente possa contar com engenharia, logística e bases de apoio ao longo de todo o projeto”, conta Schlegel.

Ele explica que as demandas variam conforme o tipo e a condição da embarcação, mas envolvem principalmente serviços de engenharia, inspeção, planejamento e apoio à execução de reparos, conversões e docagens molhadas. Em muitos casos, a necessidade do armador vai além do reparo em si, incluindo coordenação com fornecedores, materiais, movimentação e prazos para que a embarcação retorne à operação o quanto antes.

A TSA percebe uma demanda crescente por planejamento antecipado e por soluções completas. “O armador procura maior previsibilidade de prazo e custo, além de uma execução que reúna as diferentes disciplinas envolvidas na intervenção. Isso torna a capacidade de gestão e integração tão importante quanto a execução técnica de cada serviço”, observa Schlegel.

A TSA Holding vem trabalhando para fortalecer a capacidade de atendimento do grupo e a integração entre suas unidades de engenharia e logística. Recentemente, a empresa incorporou uma área vizinha à TSA Terminals em São Gonçalo (RJ) e passou a contar com 35 mil m², com acesso à Baía de Guanabara e à rodovia BR-101. Para a TSA, essa localização estratégica é um diferencial da empresa.

Ao longo do último ano, a TSA também investiu em equipamentos como balsa-guindaste com capacidade de içamento de 100 toneladas, balsas de carga, embarcações de apoio portuário, defensas pneumáticas tipo ‘Yokohama’, entre outros. Na visão da TSA Holding, o principal desafio é conciliar qualidade técnica, segurança e cumprimento de prazos em projetos que envolvem muitas interfaces.

Schlegel diz que a disponibilidade de mão de obra especializada, materiais e infraestrutura também influencia o cronograma. Segundo o diretor, o foco da TSA é planejar cada intervenção com antecedência e mobilizar as competências do grupo para dar ao armador mais previsibilidade e reduzir o tempo de indisponibilidade da sua embarcação. “O diferencial em oferecer solução integrada de engenharia e logística proporciona ao cliente um ganho financeiro ao ter um atendimento mais ágil, com menos interfaces e no prazo combinado”, ressalta Schlegel.

Fonte: Portos e Navios