Notícias | 25 setembro, 2026

Coalizão cobra celeridade ao TCU para liberar licitação da dragagem em Santos

 Contrato foi assinado em junho, mas execução foi suspensa cautelarmente, impedindo aprofundamento do canal para 16 metros. Associações temem que compromisso recaia sobre futuro concessionário do serviço no acesso aquaviário 

A Coalizão portuária, que reúne seis entidades — ABTP, ABTL Abratec, Abrtra, ATP, Abratec e Fenop –, encaminhou carta ao Tribunal de Contas da União (TCU), para que o órgão de controle reconsidere a cautelar que suspendeu a licitação para as obras de dragagem de Santos. A licitação ocorreu no final do ano passado e, em janeiro de 2026, o TCU emitiu a cautelar em favor do primeiro colocado, que havia sido desclassificado por problemas de documentação na fase de habilitação.

A empresa vencedora da licitação é a Jan De Nul do Brasil Dragagem Ltda com uma proposta de R$ 619.780.813,76 para obras de aprofundamento do canal de navegação de 15 metros para 16m e dragagem de manutenção por dois anos. O resultado foi contestado na Justiça e no TCU por concorrentes.

“O contrato foi assinado em junho, mas a sua execução encontra-se suspensa por força de uma nova medida cautelar concedida em um processo conexo. Estamos entrando em outubro e o assunto ainda não foi resolvido. As obras já poderiam ter sido executadas elevando o canal de 15 para 16 metros, o que resolveria a fila de navios que ficam à espera de a maré baixar trazendo aumento de produtividade num porto que já está com problemas de capacidade”, explicou Caio Morel, presidente-executivo da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec), uma das entidades que assinam o documento.

Ele contou que a carta enviada pela Coalizão ao TCU pede celeridade alegando que a cautelar não faz sentido. “O primeiro colocado ofereceu preço R$ 10 milhões mais baixo, mas foi desclassificado por uma questão documental, o que é comum nas licitações. O TCU diz que essa diferença traz perdas ao erário, com o que não concordamos porque é uma diferença muito pequena”, disse Morel à Portos e Navios.

Na carta, as entidades que integram a Coalizão Portuária argumentam que a suspensão do contrato de dragagem de aprofundamento, vital para o aprofundamento do canal, neutraliza investimentos privados bilionários que vão além dos desafios do próprio canal. A manutenção de medida que impede os avanços do desenvolvimento gera um ‘perigo da demora inverso’: o prejuízo macroeconômico decorrente da não realização da obra supera em muito os eventuais riscos formais apontados no processo.

As associações também alegam que o Porto de Santos já opera no limite de sua capacidade de calado. Cada centímetro a menos de profundidade impede que os navios de última geração aproveitem sua capacidade nominal, forçando a navegação com capacidade ociosa (deadfreight), multiplicando escalas ineficientes e encarecendo o frete de produtos essenciais da balança comercial brasileira.

Elas alertam para a perda de competitividade e para aumento de custos, observando que a postergação indefinida do aprofundamento perpetua custos severos de tempo de fundeio na barra, filas de atracação e vultosas penalidades de sobre-estadia de navios (demurrage), vulnerabilizando o complexo santista perante rotas internacionais concorrentes e aumentando o já elevado Custo-Brasil. Morel entende que não é viável que essa dragagem de 15m para 16m acabe ficando para o contrato da vencedora da licitação para a concessão do canal de acesso. Ele observa que não se sabe quando essa concessão do canal será finalizada. Sem falar que existe grande oposição de todo o setor.

“É uma licitação que tem um caminho muito complicado. Ao passo que já temos uma licitação de dragagem feita, com empresa adjudicada e contrato assinado e verba para pagar. A Autoridade Portuária de Santos (APS) tem mais de R$ 3 bilhões em caixa e pode pagar os R$ 620 milhões com folga. Mas o assunto está parado. Sabe-se lá quando essa concessão vai ocorrer. A Abratec já considera que o modelo tem um problema grave de governança. Entendemos que a gestão de entrada e saída do porto deve ficar com a autoridade portuária, porque é uma questão complexa e ficamos mais confortáveis com a gestão a cargo de um ente que busca o bem público, e não o lucro”, defendeu o presidente-executivo da associação.