Notícias | 19 junho, 2026
Transpetro firma contrato de US$ 427 milhões para construção de 4 MR1 em Rio Grande
A Transpetro assinou, nesta quinta-feira (18), contrato com o Estaleiro Rio Grande, para a construção de quatro navios de médio porte da classe MR1 (Medium Range), no valor total de US$ 427 milhões. Com 40 mil toneladas de porte bruto (TPB) cada, as embarcações serão destinadas ao transporte de petróleo e derivados ao longo da costa brasileira. A encomenda integra o ‘Mar Aberto’, programa de renovação e ampliação da frota própria do Sistema Petrobras.
Os novos navios foram contratados por meio de licitação pública internacional, lançada em novembro de 2025. A estimativa é que a primeira embarcação seja entregue em até 33 meses, após período de eficácia contratual, quando é concluída toda análise documental do estaleiro.
A contratação integra o conjunto de 16 navios de cabotagem previstos pela Transpetro no programa Mar Aberto, além de 18 barcaças e 18 empurradores, que totalizam a encomenda dessas 52 embarcações. De acordo com a empresa, a construção das novas embarcações amplia a capacidade de atendimento da Transpetro à Petrobras e contribui para reduzir a exposição ao custo dos afretamentos.
O presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, destacou que a contratação dos navios de médio porte reforça a estratégia de crescimento da capacidade logística da Transpetro para atender o aumento de produção e refino da Petrobras, além de ter a maior parte das construções contratada em estaleiros nacionais. “Considerando as aquisições que fizemos na nossa gestão, a frota própria da companhia aumentará de 26 para 42 navios até 2030”, afirmou Bacci em nota.
Cada navio de médio porte terá aproximadamente 175 metros de comprimento e 30 metros de boca, podendo transportar produtos como diesel, gasolina e óleo combustível. Os navios MR1 vão incorporar soluções com expectativa de até 20% de ganho em eficiência no consumo de combustível e redução de cerca de 30% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE), em conformidade com as diretrizes da Organização Marítima Internacional (IMO).
As embarcações poderão operar no futuro com biocombustíveis, como etanol, e estarão aptas a atuar em portos eletrificados. Elas contarão com conexão à energia de terra (onshore power suspply — OPS). Os cascos receberão revestimento de com tinta de alto desempenho, que reduz o atrito e contribui para maior eficiência operacional. Os MR1 também contarão com tecnologias como engenharia digital 3D, telemetria e telemedicina, ampliando a modernização da frota e os níveis de monitoramento e segurança.
O Mar Aberto tem aportes totais estimados em US$ 6 bilhões no período de 2026 a 2030. O programa prevê a construção de 20 navios de cabotagem, além de 18 barcaças e 18 empurradores, bem como a previsão de afretamento de 40 novas embarcações de apoio destinadas à renovação da frota de suporte às atividades de exploração e produção (E&P).
Atualmente, a Transpetro opera 46 terminais (25 aquaviários e 21 terrestres), cerca de 8,5 mil quilômetros de dutos e 32 navios. A subsidiária da Petrobras presta serviços a distribuidoras, à indústria petroquímica e demais empresas do setor de óleo e gás. A carteira da subsidiária da Petrobras conta com mais de 130 clientes.
Na fase anterior, havia sido divulgado que a proposta da Ecovix para os navios MR1 da Transpetro havia sido de US$ 267 milhões, após a equalização de custos. A informação foi atualizada no dia 13 de março, após a subsidiária da Petrobras divulgar um novo ordenamento dos valores apresentados na etapa anterior, agora com base na aplicação da fórmula de equalização entre as propostas de estaleiros estrangeiros e nacionais.
A Transpetro tem adotado a equalização de preços e condições como estratégia em suas licitações, especialmente para a construção de novas embarcações. A estratégia visa viabilizar a construção de navios no Brasil, tornando o custo nacional competitivo em relação ao internacional. A aplicação da fórmula de equalização entre as propostas de estaleiros estrangeiros e nacionais considera a aplicação do imposto de importação e a política de depreciação acelerada.
Esse mecanismo faz uma espécie de ‘equalização tributária’, passando a considerar nas propostas internacionais o custo futuro com os tributos de importação para nacionalizar os navios, como taxas de importação, ICMS, PIS e Cofins. Considera ainda, por exemplo, a possibilidade de acesso a benefícios como a depreciação acelerada e o financiamento com as condições do Fundo da Marinha Mercante (FMM).
Além dos quatro MR-1, a proprietária do Estaleiro Rio Grande tem em carteira contratos do programa Mar Aberto para construção de outros cinco gaseiros, firmado em fevereiro deste ano, além dos quatro petroleiros da classe Handy, em consórcio com o grupo Mac Laren, que fará o comissionamento dessas unidades em seu estaleiro em Niterói (RJ).
Fonte: Portos e Navios