Notícias | 1 novembro, 2026

Plano de governo de Lula prevê expansão da Petrobras

Propostas para o quarto mandato preveem que a estatal recupere participação no controle de reservas, aumente investimentos em revitalização de campos maduros, retorne ao segmento de distribuição, aumente capacidade de refino e amplie atuação da Transpetro para logística de GNL

Por Eliane Velloso

Em seu quarto mandato na presidência do Brasil, o novo governo do presidente Lula, reeleito neste domingo (25) com 51,79% dos votos, pretende expandir a atuação da Petrobras no setor de petróleo e gás natural, voltando a segmentos de negócios que tinha deixado, com foco no benefício aos consumidores, orientando seus investimentos ainda mais à transição energética.

No documento de 84 páginas registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela coligação Juntos pelo Brasil – formada pela federação partidária PT, PCdoB e PV, com os partidos PSB, Rede Sustentabilidade, PSOL e Solidariedade – as propostas de governo do então candidato para o setor de óleo e gás estão inseridas no capítulo 10, na meta “Ampliar a segurança energética e liderar a transição para uma economia de baixo carbono”.

“A Petrobras continuará ampliando investimentos em exploração onshore e offshore, para recuperar participação no controle de reservas nacionais, e deverá expandir investimentos em revitalização de campos maduros. As novas reservas serão exploradas com cuidados socioambientais ainda maiores e visão estratégica. A Petrobras deverá retornar ao segmento de distribuição de combustíveis, expandindo sua capacidade de refino e ampliando a atuação da Transpetro para logística de GNL”, afirma o documento.

Segundo o programa de governo do quarto mandato de Lula, a carteira do Novo PAC reúne R$ 595 bilhões em investimentos em geração e transmissão de energia elétrica petróleo, gás, fertilizantes, indústria naval e refino.

“Esses investimentos contribuem para segurança energética, para reduzir a dependência externa de combustíveis e fertilizantes e para acelerar o crescimento econômico, reduzir pressões inflacionárias num cenário geopolítico conturbado e gerar empregos qualificados”, afirma o documento, acrescentando que o governo vai continuar a atuar para mitigar a volatilidade dos preços internacionais, garantindo que os brasileiros não fiquem expostos a choques externos.

Sobre o gás natural, o programa prevê que o papel do combustível e do biometano continuará sendo estimulado, ampliando a segurança energética e a competitividade da economia brasileira. A infraestrutura de gás natural continuará sendo expandida e integrada para ampliar a oferta, interiorizar as malhas de transporte e distribuição e fortalecer a integração gasífera sul-americana.

No próximo mandato, Lula planeja continuar atuando para, simultaneamente, assegurar segurança energética, avançar na transição energética justa e combater a pobreza energética. O governo pretende dar sequência à estratégia de incrementar a participação de fontes renováveis, acelerando a substituição progressiva de combustíveis fósseis por biocombustíveis e combustíveis de baixa intensidade de carbono.

Defendendo que a Petrobras continue também a orientar para a transição energética, alinhados ao Acordo de Paris e NDC brasileira, com investimentos em fontes de baixo carbono e redução efetiva de emissões operacionais, o programa afirma que o próximo governo Lula vai readequar o marco legal do Repetro às necessidades de descarbonização.

Lembrando que no terceiro mandato retomou investimentos na indústria naval, com encomenda de 96 embarcações pela Petrobras, 71 delas a serem construídas no Brasil, com a geração de 70.725 empregos em 2026, o que significa criação de mais de 47 mil empregos desde o final 2022, retornando ao pico atingido pelo setor em 2013, o programa de Lula para o novo governo pretende assegurar que os investimentos da Petrobras continuem estimulando a indústria naval, com reafirmação de regras de conteúdo local.

Fonte: Brasil Energia