Notícias | 17 abril, 2026
Navegação interior e terminais na região Norte têm ótimo 2025 e abrem novas perspectivas para a indústria naval
A movimentação de cargas pelos portos e terminais da Região Norte fechou o ano de 2025 com 163,3 milhões de toneladas e alta de 10,33%, acima dos 6,1% da elevação da média nacional. O incremento da navegação interior, 91,3 milhões de toneladas no ano passado, representou mais 19,7% do que em 2024, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Esses resultados podem ser creditados em grande parte à participação cada vez maior à movimentação de cargas do agronegócio e à consolidação do Arco Norte.
Os números revelam impulsionamento nas atividades dos estaleiros da região, como pode ser comprovado pelo aumento de consultas por financiamento e aprovação de projetos pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM). De acordo com o Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercantes, entre projetos aprovados e contratados na Região Norte, são 1.035 obras, que somam R$ 9,2 bilhões em investimentos com estimativa de geração de 39.289 empregos diretos.
Em 2025, foram aprovados 676 projetos para construção, modernização e reparo de embarcações, além de investimentos em infraestrutura e apoio portuário na região Norte. Somados, eles representam investimentos de R$ 5,8 bilhões e expectativa de geração de 37.112 empregos. No Amazonas, são 169 projetos aprovados, num total de R$ 975,9 milhões, enquanto para o Pará, já foram 507 projetos e R$ 4,8 bilhões.
Do total de projetos aprovados, já foram contratadas 359 obras, com investimentos de aproximadamente R$ 3,4 bilhões e geração de cerca de 24.193 empregos, sendo 205, no valor somado de R$ 1,7 bilhão, envolvendo estaleiros do Amazonas e 154, também de cerca de R$ 1,7 bilhão, para empresas instaladas no Pará.
A carteira inclui, principalmente, a construção e o reparo de balsas, barcaças, empurradores, rebocadores e estruturas de apoio portuário. Somente em 2025, o FMM liberou R$ 603 milhões para 373 projetos na Região Norte, dos quais R$ 306 milhões foram destinados a 220 projetos no Amazonas e R$ 297 milhões a 153 projetos no Pará.
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) informou, no entanto, que não tem dados sobre as negociações entre as empresas e os agentes financeiros porque, após a aprovação pelo Conselho Diretor do FMM, cabe ao responsável pelo projeto buscar o financiamento diretamente com a instituição financeira, dentro do prazo regulamentar.
O crescimento da demanda por obras de construção naval na região é confirmado pelo presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha. Segundo ele, os estaleiros do Norte estão, cada vez mais, voltados à especialização na construção de barcaças e empurradores fluviais, que compõem os comboios para o transporte da produção do agronegócio ao longo das hidrovias.
Rocha explica que a expectativa das empresas e do Sinaval é de que essa modalidade de transporte se desenvolva ainda mais nos próximos anos. “O atendimento a essa demanda pelos estaleiros locais está conduzindo a um aumento significativo nas instalações e a um crescimento progressivo do número de empregos oferecidos na região, tanto nos estaleiros quanto nas empresas prestadoras de serviços”, informa.
A estimativa de crescimento das encomendas é compartilhada por Flávio Silveira, diretor industrial do Estaleiro Beconal, de Manaus. De acordo com ele, a Região Norte vive um novo ciclo de expansão da frota fluvial, especialmente com o aumento da demanda por barcaças graneleiras, impulsionadas pelo crescimento do agronegócio no oeste do Mato Grosso e nos estados do Pará, de Rondônia e de Roraima. “O cenário atual é positivo para as empresas de construção naval da Região Norte”, confirma.
O Beconal venceu licitação da Transpetro para a construção de 18 barcaças.
Silveira destaca que, além do escoamento das safras agrícolas, que tem gerado forte movimentação fluvial, observa-se um contrafluxo crescente de cargas, como fertilizantes e minérios importados, que sobem os rios em direção às áreas produtivas. Ele ressalta ainda o aumento da movimentação de petróleo proveniente do Peru, que passou a ser transportado via balsas de granéis líquidos pela calha do Rio Solimões, com transbordo próximo a Santarém. “Esse cenário tem gerado demanda também por empurradores e balsas para granéis líquidos, consolidando a importância da construção naval na região”, explica.
No segmento, de acordo com seu diretor comercial, em 2024 o Estaleiro Beconal entregou 55 embarcações, entre balsas empurradores, terminais flutuantes e outros equipamentos. Além disso, a empresa mantém carteira ativa de novos projetos em desenvolvimento e tem diversas cotações em andamento para atender à crescente demanda na região. “O estaleiro trabalha na produção de balsas graneleiras, empurradores, boias de fundeio, terminais flutuantes para combustíveis e terminais flutuantes para transbordo de grãos”, conta.
Fábio Vasconcellos, diretor comercial do Estaleiro Rio Maguari, de Belém, no Pará, também confirma que o momento é positivo para estaleiros da Região Norte. Ele explica que, além dos projetos fluviais e de apoio portuário já em andamento, há negociações nesses dois segmentos para construção de barcaças e empurradores para comboios fluviais para transporte de minérios e de rebocadores portuários para produtos do agronegócio.
Ariovaldo Rocha considera o cenário positivo também para os estaleiros que atuam no segmento de reparos. Ele lembra que as frotas de barcaças e de empurradores que atendem ao agronegócio têm unidades com diversas idades de operação e, por esse motivo, a necessidade de reparos é constante, mas garante que as empresas locais estão preparadas para prestar esses serviços.
O presidente do Sinaval avalia que, para atender à demanda e ampliar a sua produção, os estaleiros da Região Norte enfrentam desafios semelhantes aos das empresas de construção de outras regiões. Cita a necessidade de regularidade de pedidos, condições de financiamento e garantias aos armadores locais, iniciativas governamentais de fomento e estabilidade de regras e de regulamentos, além do treinamento de trabalhadores e capacitação de fornecedores.
Segundo ele, a superação desses desafios é um processo constante, com envolvimento dos estaleiros e armadores locais e, também, do Sinaval, que atua para aprovação dos projetos de construção de novos conjuntos de barcaças e empurradores apresentados ao Conselho Diretor do FMM. Rocha diz ainda que a questão da mão de obra é preocupação permanente, diante do aumento de pedidos. “Há necessidade de planejamento para o treinamento dos trabalhadores locais, considerando-se que a Região Norte tem menor desenvolvimento industrial que outras regiões”, afirma.
Ele explica, no entanto, que o problema não se resume aos estaleiros locais e que as empresas da região, como os de outras do país, têm processos de treinamento em suas próprias instalações, as chamadas “escolinhas”. Além disso, contam com cursos profissionalizantes oferecidos por federações de indústrias locais.
De acordo com Ariovaldo Rocha, o levantamento das necessidades de qualificação de mão de obra é feito pelos Senais regionais em conjunto com o Sinaval e com coordenação do Ministério da Indústria, do Comércio e dos Serviços (Mdic) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). “Se houver regularidade nas encomendas, esse treinamento dos trabalhadores necessários deverá ser bem-sucedido”, assegura.
Flávio Silveira, diretor industrial do Estaleiro Beconal, também considera a escassez de mão de obra especializada, especialmente de soldadores e montadores navais, com uma das principais dificuldades para atender ao aumento de demanda previsto. Ele explica que, para superá-la, a empresa fez parceria com o Senai para implementar programas internos de qualificação e para a formação de trabalhadores sem experiência, conforme as necessidades específicas dos projetos de construção. “Mas, mesmo com essas iniciativas, há desafios em atrair interessados para o setor e continuamos oferecendo oportunidades e capacitação”, informa.
Fábio Vasconcellos, do Estado Rio Maguari, é outro que confirma que a demanda por mão de obra qualificada tem crescido e que é necessário que a empresa desenvolva um programa próprio de treinamento de pessoal. “Isso faz com que nosso programa de qualificação de pessoal se torne ainda mais importante”, explica.
Outro desafio colocado para os estaleiros é o do investimento em tecnologias que permitam a construção mais sustentável, menos poluente e com menor consumo de combustíveis, para atender às exigências da Organização Marítima Internacional (IMO). No caso da Região Norte, Ariovaldo Rocha, presidente do Sinaval, garante que as empresas locais estão preparadas para incorporar novas tecnologias, como as ligadas à descarbonização, mas ressalta que o desenvolvimento delas, em todas as regiões, depende de vários fatores, a maioria deles fora do controle das indústrias de construção naval.
Ele sugere que o treinamento dos trabalhadores já deve incluir conceitos ligados à incorporação de avanços tecnológicos porque a expectativa é que as frotas que operam considerem, pelo menos em médio prazo, o uso de motores de propulsão preparados para funcionarem com combustíveis alternativos aos derivados de petróleo. “Essa é uma tendência mundial que acompanha as recomendações internacionais aplicáveis à navegação e que está sendo seguida pelos fabricantes internacionais de motores”, diz.
Flávio Silveira concorda com o presidente do Sinaval sobre a necessidade de os estaleiros se prepararem para atender à necessidade de transição energética e de produzir embarcações com menos emissões de gases do efeito estufa. “A descarbonização é um tema que tem ganhado força e já influencia o desenvolvimento de novos projetos, com maior atenção à eficiência energética, uso de materiais mais sustentáveis e menor impacto ambiental”, assegura.
Apesar dos desafios a superar, a avaliação de Ariovaldo Rocha sobre o cenário atual e futuro da construção naval na Região Norte é positiva, principalmente porque o crescimento da necessidade de escoamento dos produtos do agronegócio pelas hidrovias da região tem criado condições para a construção de barcaças e empurradores pelos estaleiros locais. Além disso, ele cita que providências anunciadas pelo governo federal para a regularização do modal hidroviário, como o anunciado derrocamento do Pedral do Lourenço e a aceleração do desenvolvimento do transporte hidroviário, deverão permitir o incremento das frotas e proporcionar a construção de mais unidades de transporte.
Segundo ele, os recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) atendem a esse mercado e podem garantir o crescimento da produção naval na Região Norte. Ele explica que essa é uma situação que existe há muitos anos, mas com maior ou menor atenção, dependendo de iniciativas governamentais de fomento e também do interesse das empresas transportadoras que necessitam de recursos para investimento em suas frotas.
Já Flávio Silveira, do Estaleiro Beconal, enxerga a necessidade de oferta de crédito com condições acessíveis como um dos maiores desafios para a viabilização de novos projetos no setor naval. “Sem linhas de financiamento adequadas, muitos projetos acabam sendo inviabilizados, especialmente em regiões mais distantes dos grandes centros”, avalia.
Fábio Vasconcellos, do Rio Maguari, acrescenta aos desafios dificuldades que surgem para cumprir expectativas entre a contratação e a entrega quando há pedidos com prazos muito curtos. Segundo ele, alguns investimentos demandam tempo para ser aprovados internamente nas empresas e acabam se tornando urgentes para atendimento de suas demandas operacionais. “Isso gera pressão pela entrega, muitas vezes inexequíveis, o que faz algumas empresas menos experientes acreditarem em prazos que o mercado sabe que não serão cumpridos”.
O executivo explica que o estaleiro está atualmente com ocupação de cerca de 80% de sua capacidade e, por isso, pode aceitar novos contratos para entregas não muito distantes na linha de barcaças e um pouco mais extensas na linha de empurradores e rebocadores. Além disso, informa que a demanda por serviços de reparo de comboios e rebocadores portuários tem crescido desde que passaram a investir também nesse segmento.
Vasconcellos conta que, por causa da perspectiva de mais encomendas, o estaleiro vem investindo no aumento de produtividade a partir da modernização dos equipamentos, incremento das áreas de produção e treinamento de mão de obra. “Atualmente, entre outros investimentos menores, estamos fazendo a cobertura de um de nossos diques secos”, diz.
No Estaleiro Beconal, segundo Flávio Silveira, também são feitos investimentos em modernização, em atualizações e na ampliação das instalações. Ele informa que em 2025 foram compradas novas dobradeiras e calandras, máquinas de soldagem de arco submerso de última geração e pontes rolantes com capacidade de 10 a 50 toneladas, além da construção de um novo galpão para aumentar a área e a capacidade de produção. “Esses investimentos refletem nosso compromisso com a modernização”, assegura.
Walter Lucas da Silva, diretor-presidente do Cluster Tecnológico Naval do Rio de Janeiro, informa que, de forma geral, a percepção da entidade é a de que a Região Norte continua apresentando demanda consistente por serviços de engenharia, manutenção e modernização de embarcações que operam na rede hidroviária amazônica.
Segundo ele, há também avaliação positiva quanto ao potencial de crescimento da produção naval voltada à navegação fluvial, impulsionado principalmente pela necessidade de renovação gradual da frota de navegação interior e pela expansão do uso das hidrovias como alternativa logística.
Ele explica que, entre os segmentos que mais demandam consultas e projetos, destacam-se o transporte fluvial de cargas, embarcações mistas de carga e passageiros e serviços técnicos especializados para manutenção e modernização de embarcações. Walter Lucas da Silva ressalta ainda que a agenda de eficiência energética e descarbonização começa a influenciar novos projetos, estimulando o desenvolvimento e a adoção de soluções tecnológicas voltadas à redução de consumo de combustível e emissões.
Mas o diretor-presidente do Cluster Tecnológico Naval do Rio de Janeiro ressalva que permanecem desafios estruturais importantes, como a necessidade de investimentos em renovação da frota e modernização de estaleiros regionais. Além disso, explica que é preciso investir na capacitação de mão de obra especializada e no fortalecimento da cadeia de fornecedores, fatores que considera essenciais para ampliar a competitividade do setor.
A entidade participará novamente da feira NN Logística em 2026, em Manaus, com um estande corporativo, voltado à integração empresarial e à prospecção de parcerias. Estarão presentes ao evento, que será realizado em abril, as empresas associadas Emgepron e SKM, ambas prestadoras de serviços no setor marítimo. “Também contaremos com a participação de uma representação do Cluster Naval da Amazônia, iniciativa criada no final de 2025 com o objetivo de fortalecer a articulação empresarial e tecnológica ligada à navegação interior e à economia azul na região amazônica”, diz.
Segundo Silva, as perspectivas para a NN Logística 2026 são as melhores possíveis. “O evento representa uma excelente oportunidade para ampliar conexões entre empresas, identificar oportunidades de cooperação entre diferentes regiões do país e fomentar novas parcerias e negócios na cadeia da economia azul”, diz.
Dessa forma, entende que a participação do Cluster Tecnológico Naval do Rio de Janeiro na NN Logística busca aproximar empresas, estimular parcerias e contribuir para o fortalecimento da indústria naval e da cadeia de serviços marítimos no país.
O aumento de encomendas para a indústria naval e da movimentação aquaviária da Região Norte beneficia também o segmento de fornecedores. Leandro Pinto, diretor-geral da Anschütz do Brasil e presidente da Câmara de Equipamentos Navais e Offshore (CSENO) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), explica que os pedidos de equipamentos e serviços para embarcações na região Norte cresceram em 2025, especialmente por causa da necessidade de manutenção e atualização de barcos que operam em rotas fluviais consideradas estratégicas da Amazônia.
Segundo ele, houve mais consultas relacionadas à modernização de sistemas de navegação, de eletrônica embarcada e de integração de equipamentos e, como a região é polo relevante para a navegação interior no Brasil, há demanda contínua por soluções técnicas e suporte especializado. De acordo com Leandro Pinto, há potencial de crescimento. Projetos voltados ao transporte de granéis, de combustíveis e de carga geral indicam perspectivas positivas para novas construções e modernização de embarcações, mas ainda é preciso ampliar a previsibilidade de investimentos, melhorar o acesso a financiamento e fortalecer políticas industriais que incentivem a produção nacional e a cadeia de fornecedores.
Na avaliação do dirigente da Abimaq, o momento é de recuperação gradual e há mais conscientização sobre a importância da navegação interior para o desenvolvimento regional e para a eficiência logística do país. Além disso, diz ele, armadores e operadores avaliam a renovação das frotas, por questões operacionais, regulatórias ou de eficiência energética. “Mas a evolução desse cenário depende da continuidade de investimentos em infraestrutura hidroviária, financiamento e políticas de incentivo à indústria naval”, ressalva.
Ele explica que ainda há muito o que evoluir em relação a equipamentos eletrônicos para manobrabilidade das embarcações fluviais. A Anschütz tem interesse de fornecer sistemas de ECDIS e sistemas de piloto automático, que, explica, geram valor agregado à operação por dar mais segurança à navegação e aumentam a eficiência e reduzem consumo de combustíveis.
Leandro Pinto informa que os segmentos da Região Norte que mais fazem consultas e pedidos de produtos e de equipamentos são o de transporte fluvial de combustíveis, de transporte de granéis sólidos vegetais, de apoio logístico regional e os que operam de embarcações de carga geral e de passageiros. Segundo ele, especificamente das empresas do setor de construção, a procura é crescente por bombas, trocadores de calor e sistemas elétricos de automação, além dos serviços de manutenção de máquinas.
O executivo informa ainda que, atualmente, os principais projetos que demandam equipamentos são os voltados para modernização de sistemas de navegação em embarcações existentes, para novas embarcações fluviais e para atualização de sistemas eletrônicos embarcados, além de serviços de manutenção técnica e suporte especializado.
Leandro Pinto avalia ainda que as perspectivas para a próxima edição da NN Logística são positivas para discutir todos os aspectos que envolvem os segmentos de construção naval, navegação e logística na Região Norte. Ele lembra que o evento tem se consolidado como importante espaço de diálogo entre armadores, estaleiros, fornecedores e autoridades do setor. “Espera-se que a edição de 2026 contribua para ampliar o debate sobre investimentos, inovação tecnológica e desenvolvimento da navegação interior na região Norte, além de fortalecer as conexões entre os diferentes elos da cadeia marítima e fluvial”, diz.
No segmento especializado de tintas marítimas, também há aumento de procura, garante Fabiano Aguiar, diretor de Vendas da Jotun. De acordo com ele, em 2025 foi registrado forte crescimento da demanda para embarcações na Região Norte, como consequência do aumento das operações de transporte fluvial e da construção naval, principalmente de produtos anticorrosivos de proteção para cargas secas e líquidas, como grãos e petróleo.
Aguiar explica que, no segmento de transporte aquaviário, houve aumento de procura especialmente para navios porta-contêineres, acompanhando o crescimento das atividades na indústria naval na Região Norte. Isso, segundo ele, reflete o interesse dos armadores por produtos de melhor desempenho para a proteção de suas embarcações.
O diretor da Jotun avalia que há na Região Norte forte potencial de crescimento de vendas da empresa. Por isso, monitora as tendências, tem a região como prioridade e em 2025 firmou parcerias com um distribuidor em Manaus e outro em Belém. “Também contamos com colaboradores da fábrica atuando e residindo na região. Essa expansão de nossa estrutura reforça nossa presença local”, explica.
No caso da empresa de tintas, os setores que mais fazem consultas e pedidos são o marítimo e de mineração. Com a ampliação das operações com pessoal próprio e distribuidores locais, têm aumentado também os pedidos por orientações técnicas, serviços que são oferecidos por uma equipe técnica que visita as instalações das empresas para atividades de treinamentos de pintura. “Temos programas desde o nível mais básico aos mais avançados, para qualquer necessidade do cliente, feito sob medida”.
Outra empresa do segmento de tintas especiais, a AkzoNobel também relata crescimento da procura por seus produtos de parte de empresas de navegação e construção naval da Região Norte. Gustavo Gomes, gerente de Desenvolvimento de Negócios da companhia, explica que a demanda é maior por produtos e serviços para embarcações, principalmente voltados a novas construções na Região Norte.
Ele creditou o crescimento, que definiu como consistente, aos investimentos aprovados pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM) e pela expansão da navegação interior, sobretudo para transporte de produtos do agronegócio e de outras cargas. Os principais pedidos são para embarcações fluviais, como balsas, empurradores, barcaças e rebocadores.
De acordo com Gomes, foi registrado aumento de procura não apenas de estaleiros locais, mas também da cadeia de suprimentos e serviços associados, incluindo sistemas de pintura e de manutenção naval. “O mercado naval no Norte manteve trajetória positiva, ainda que concentrada em projetos fluviais e logísticos, com perspectivas de continuidade”, diz.
O desenvolvedor de tecnologias Grupo Voith também relata aumento de pedidos e consultas partindo da indústria naval e das empresas de navegação e de logística da Região Norte. Adelson Martins, diretor de vendas da divisão Ferroviária e Marítima da Voith para a América do Sul, explica que a maior demanda é do dispositivo Safeset, um limitador de torque projetado para evitar falhas em acionamentos e que libera óleo de pressurização em casos de sobretorque, protegendo as linhas de eixos. Segundo ele, o equipamento é usado em parte da frota de empurradores e de rebocadores em operação em hidrovias.
Martins avalia que é grande o potencial de receber mais encomendas de empresas da região porque a navegação interior está se tornando estratégica para o desenvolvimento econômico. Ele cita ainda projetos de expansão das hidrovias para ampliação da navegabilidade em rios como Tietê-Paraná, Tocantins, Madeira e Tapajós, investimento em infraestrutura hidroviária, renovação e modernização de frota para atender a exigências ambientais e operacionais e demanda por comboios de empurradores e barcaças, ferryboats e embarcações de passageiros e cargas.
Martins explica que os executivos do Grupo Voith têm boas perspectivas para a próxima edição da NN Logística e estarão presentes para acompanhar de perto as novidades apresentadas e buscar ampliar relacionamentos de acordo com o mercado.
Leandro Pinto, da Anschutz e da Abimaq, vê potencial de crescimento na Região Norte também para fornecedores de equipamentos que permitam às empresas da região a atualização tecnológica de equipamentos de navegação, comunicação e automação. “Muitas embarcações ainda operam com sistemas defasados em termos de tecnologia e eficiência”, explica.
Segundo ele, a modernização das embarcações trará como benefícios relevantes o aumento da segurança da navegação, a melhoria da eficiência operacional, a redução de custos operacionais e a adequação a novas exigências regulatórias e ambientais. Mas, de acordo com Leandro Pinto, para atender às demandas de empresas da Região Norte, os fornecedores precisam superar desafios logísticos e estruturais, como as grandes distâncias e o acesso restrito a determinadas localidades, os custos elevados de transporte e logística, a dificuldade de oferecer com presteza atendimento técnico presencial e falta de mão de obra especializada local.
Ele assegura que a modernização das frotas e atualização tecnologia permitirá ainda avançar em projetos de descarbonização, em momento em que essa agenda começa a ganhar relevância também no contexto da navegação interior, embora ainda esteja em estágio inicial na Região Norte. Leandro Pinto explica que é cada vez maior o interesse de empresas de construção naval e de navegação da região em soluções que contribuam para aumentar a eficiência energética, reduzir consumo de combustível e que permitam a digitalização e a automação de sistemas embarcados.
Para os fornecedores de equipamentos, assegura, isso se traduz em oportunidades para tecnologias que melhorem a eficiência operacional e reduzam impactos ambientais. “A Anschütz possui sistemas de piloto automático que ajudam nas manobras e que trazem até 5% de economia de combustível”, informa.
A necessidade de avançar na descarbonização na Região Norte é vista também por Adelson Martins como oportunidade para fornecedores de equipamentos. Ele cita que grande parte da frota local está obsoleta, com embarcações acima de 20 ou 30 anos de uso, com baixa eficiência operacional, alto consumo de combustível e custos elevados de manutenção.
Martins avalia, no entanto, que essa situação pode ser mitigada com a substituição de motores antigos por modelos diesel de alta eficiência ou motores híbridos/elétricos e a instalação de sistemas propulsores otimizados para águas rasas e correnteza. E explica que estaleiros e armadores estão procurando incorporar em novas embarcações tecnologias que reduzam as emissões de gases de efeito estufa, com motores mais eficientes e preparados para combustíveis alternativos, como gás natural, biocombustíveis e hidrogênio, e sistemas de propulsão híbrida elétrica-diesel com cascos mais leves e hidrodinâmicos, com menor resistência ao avanço e menos consumo de combustível. “Fornecedores têm sido demandados para oferecer materiais inovadores e soluções de eficiência energética”, informa.
A descarbonização é avaliada como oportunidade também pelas empresas de tintas. Fabiano Aguiar, diretor de Vendas da Jotun, por exemplo, explica que a empresa segue critérios sustentáveis aplicados globalmente, como o desenvolvimento de tecnologias com baixo teor de VOC, livres de isocianato, seleção criteriosa de fornecedores, logística otimizada e soluções que prolongam a vida útil dos ativos, reduzindo emissões ao longo do ciclo operacional.
Segundo ele, a pauta da descarbonização já influencia novos projetos na região, sobretudo após a COP 30 em Belém, que reforçou o protagonismo da Amazônia nas discussões climáticas. “Isso tem levado empresas a buscar soluções mais eficientes e sustentáveis, incluindo revestimentos que contribuam para menores emissões indiretas e maior eficiência operacional”, explica ele, que diz ainda que a Jotun tem expectativa positiva para a NN Logística 2026, com foco em bons negócios e novas parcerias, apoiada pela estrutura já consolidada em Manaus e Belém.
Gustavo Gomes, gerente de Desenvolvimento de Negócios da AkzoNobel, conta que descarbonização vem influenciando de forma gradual, porém crescente, o desenvolvimento de novos produtos e soluções pela empresa para projetos de construção naval na região. Segundo ele, há um movimento de armadores, financiadores e órgãos reguladores para a redução de emissões e melhoria da eficiência ambiental ao longo do ciclo de vida das embarcações.
Por isso, a AkzoNobel tem direcionado esforços para produtos mais duráveis, de maior eficiência e menor impacto ambiental, como revestimentos de alto desempenho que contribuem para a redução de manutenção, menor consumo de recursos e combustível ao longo do tempo e maior eficiência operacional. “Mesmo que a descarbonização ainda não seja o principal fator decisório nos projetos locais, ela já influencia especificações técnicas, critérios de escolha de materiais e estratégias de longo prazo na construção naval”, diz Gomes.
A AkzoNobel projeta com confiança sua participação na próxima edição da NN Logística 2026, na condição de patrocinadora master, apoiada pelo consistente crescimento do setor naval na região Norte e pela evolução contínua das agendas de sustentabilidade, inovação e eficiência operacional. A empresa pretende ampliar e qualificar sua presença no evento, destacando soluções estratégicas alinhadas às necessidades do mercado, como revestimentos navais de alta performance que promovem maior durabilidade das embarcações e contribuem para a redução de emissões.
“A NN Logística 2026 se consolida como uma plataforma estratégica para o fortalecimento de relacionamentos, a apresentação de novas tecnologias, a troca de conhecimento técnico e a geração de oportunidades que impulsionam o desenvolvimento do mercado naval na região Norte”, avalia Gomes.
Fonte: Portos e Navios