Notícias | 13 setembro, 2026

Açu investirá US$ 100 milhões em terminal de grãos e busca parceiro estratégico

Carmen Nery

O Porto do Açu, localizado em São João da Barra, no Norte do Rio de Janeiro, vai implementar um novo terminal de grãos próprio. Hoje, o porto já movimenta granéis sólidos vegetais no Terminal Multicargas (T-Mult), que concluiu investimento de R$ 200 milhões para ampliar o cais operacional, de 340 metros para 500 metros, mantendo calado de 13,1 metros e estrutura para atracar simultaneamente dois navios do tipo Panamax (capacidade de até 75 mil toneladas cada). O projeto está ampliando a movimentação de cargas diversificadas como coque, carvão, concentrado de cobre e ferro gusa.

Já o terminal de grãos será exclusivo como estratégia de aproximação e atendimento ao agronegócio, movimentando cargas de milho e soja de áreas de produção de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

“A carga virá de caminhões até que tenhamos nossa conexão ferroviária. Vamos fazer a exportação num porto que, sendo privado, nós controlamos toda a infraestrutura para que não tenha filas, garantindo celeridade e que os navios que chegarão não vão ficar esperando, e, portanto, não vão pagar taxas de demurrage (sobre-estadia – cobrada pelo armador ou operador logístico quando um contêiner ou navio passa mais tempo retido do que o período livre acordado), como acontece em vários portos nacionais”, disse Eugenio Figueiredo, CEO do Porto do Açu.

Ele observa que a primeira operação no mercado de agro foi a importação de fertilizantes para o qual o porto tem uma misturadora. No novo terminal de grãos teremos uma estrutura em terra para trazer a carga para os navios com equipamentos específicos para grãos. “Na primeira etapa estamos falando em US$ 100 milhões de investimentos entre armazéns e equipamentos. Após o ramp-up (aceleração gradual da produção), teremos também um berço dedicado para o terminal de grãos”, sinalizou Figueiredo.

O projeto começará a ser construído em 2027 com previsão de conclusão em 18 meses e capacidade de 2,5 milhões de toneladas/ano e expectativa de movimentar, no primeiro ano, 1 milhão de toneladas. Essa é a estimativa considerando-se que a carga chegará ao Açu por rodovia. Quando o porto tiver sua conexão ferroviária, prevista para 2034, a capacidade poderá chegar a 9 milhões de toneladas/ano.

O projeto também prevê a busca de um parceiro estratégico. “Esse parceiro pode ser um produtor, uma trade, ou uma instituição financeira. O objetivo é ter recursos garantidos para ancorar uma parte importante dessa capacidade inicial”, adiantou o CEO do Açu.

João Braz, diretor de Terminais e Logística do Porto do Açu, acrescentou que o Açu tem expertise na operação de terminais, mas não na captura da produção de grãos. “É algo que precisamos adicionar por meio de um parceiro estratégico”, ponderou Braz.

O Açu também quer fortalecer sua atuação no mercado de fertilizantes, mirando o potencial do mercado, já que o Brasil é o maior consumidor desse insumo agrícola. Na semana passada, o porto realizou sua primeira operação de importação de enxofre, insumo fundamental para a indústria de fertilizantes.

A movimentação inicial de 1.500 toneladas — importada pela Minas Port dos EUA para abastecer o mercado interno — marca o objetivo do Açu de se tornar um hub nacional de distribuição de enxofre, com meta de movimentar 300 mil toneladas anuais (cerca de 12% da demanda do país).

Outra estratégia é atuar como hub de abastecimento de combustível verde. Uma das iniciativas é criar um corredor verde com o Porto de Antuérpia, acionista do Açu. “Já temos a tancagem, um player importante e a próxima etapa será a produção local. Temos áreas reservadas para clientes que estão desenvolvendo projetos de produção de SAF (Combustível Sustentável para Aviação), Metanol e Amônia Verde, a partir do hidrogênio verde”, destacou o CEO.

Fonte: Portos e Navios