Notícias | 18 setembro, 2026
Búzios mira eficiência para ampliar oferta de gás e reduzir reinjeção
Nesta entrevista para a Brasil Energia, o gerente-executivo do campo, Luiz Schmall, fala sobre a tecnologia de separação de CO₂, otimização das plantas e novas plataformas que sustentam a estratégia da Petrobras para reduzir a reinjeção e elevar as exportações
Os recordes constantes na produção e exportação de petróleo e gás concentram no Campo de Búzios boa parte dos holofotes sobre a Petrobras. Em agosto, a produção diária de petróleo bateu 1,179 milhão de barris, além de também atingir novos patamares na exportação média diária de gás. Com volumes milionários sendo produzidos todos os dias, a empresa tem mantido o cronograma acelerado de entrada das novas plataformas e otimizado a performance das unidades em operação para garantir máxima eficiência e retorno de resultados.
Entretanto, se por um lado os quantitativos da extração de petróleo de Búzios impressionam no maior campo produtor do país, a produção de gás natural ainda não destravou todo o potencial esperado. Em entrevista à Brasil Energia, o gerente executivo do ativo Búzios na Petrobras, Luiz Schmall (foto), analisou ponto a ponto algumas questões envolvendo o campo e seu papel presente e futuro para o mercado de gás natural do país.
Em julho, Búzios teve produção média diária de 45,8 milhões de m³ de gás natural, número que vem aumentando consistentemente nos últimos 12 meses. Em agosto, bateu o recorde de exportação total de 12,3 milhões de m³.

Fonte: Boletim Mensal de Produção de Petróleo e Gás Natural, ANP
Com a chegada do FPSO Almirante Tamandaré e da plataforma P-78 em 2025, somada ao início antecipado de operação da P-79, a produção do campo acelerou significativamente. Mas estes não foram o principal fator no recorde da exportação de gás. Segundo Schmall, a P-78 e a P-79 ainda não começaram a exportar e o Almirante Tamandaré não é capacitado para tal finalidade.
“E a o que se deve isso? A troca de membranas. Estamos utilizando uma tecnologia mais avançada em termos de separação de CO₂. Além disso, a gente fez outra melhoria de processo, que é a utilização do gás, da corrente rica em CO₂, como gás combustível para a geração de energia nos turbogeradores. Então, parte do gás que utilizávamos para geração de energia deixou de ser usado para tal fim e agora é exportado. Além disso, as plantas da Cessão Onerosa tiveram uma melhoria significativa em termos de eficiência e de estabilidade”, explicou Schmall.
Reinjeção é ponto de dúvida
Por que, então, mesmo diante destes recordes, a reinjeção segue sendo um dos principais alvos de discussões sobre Búzios e outros campos do pré-sal?
De acordo com o último boletim de produção mensal da ANP, foram reinjetados 124,3 milhões de m³/dia de gás em média em julho, somando todas as bacias. Só em Búzios esse volume foi de 29,78 milhões de m³ diários, quase 24% do total.
Questionado, Schmall destacou o percentual alto de CO₂ concentrado no campo, de 23,2% em julho, o que acaba dificultando a separação dos hidrocarbonetos e, consequentemente, a oferta de gás natural para o mercado. Uma parte da produção que não pode ser desagregada do dióxido de carbono, então, é reinjetada.
O executivo adiantou ainda que a Petrobras realiza estudos constantes sobre o processo, do comportamento do fluxo no meio poroso às perturbações criadas nos poços, a fim de “melhorar o resultado econômico dos campos”. A reinjeção, segundo disse, tem “um altíssimo retorno, (…) para a produção de óleo e para o resultado econômico”, mas não entrou em detalhes sobre quantos m3 de gás são necessários para expulsar cada barril de petróleo. No entanto, descreveu a importância do processo para a produção de petróleo do campo:
“Esse CO₂ obviamente não pode ser exportado para a terra e também não pode ser simplesmente ventilado na atmosfera. Reinjetar no reservatório é de grande vantagem porque o gás mantém a pressão e também lava (a rocha). A expressão “lavar”, tem uma aplicação bem robusta aqui porque, na verdade, é exatamente isso que acontece. O CO₂ consegue extrair de forma bastante eficiente o óleo que está presente na rocha-reservatório. Ele é bastante utilizado, inclusive, como método de recuperação em diversos campos, não só no Brasil, mas em outros países”.
Mesmo com os investimentos já feitos pela Petrobras em relação às membranas de separação, o volume de gás injetado no campo de Búzios, descontando o dióxido de carbono, ainda chama a atenção. Segundo o boletim da ANP, a média para o campo foi de 22,3 milhões de m³/dia em julho, o que representa quase 26% do total reinjetado sem CO₂ em todas as bacias. É claro que este avanço também está atrelado ao aumento da produção em Búzios. Ainda assim, é um valor que levanta questionamentos de outras pontas da cadeia de gás natural.

Fonte: Boletim Mensal de Produção de Petróleo e Gás Natural, ANP
Entrada de novas plataformas
A perspectiva futura da Petrobras quanto à oferta de gás de Búzios ao mercado, no entanto, é positiva. Segundo Schmall, o investimento na tecnologia das membranas das plataformas exportadoras deve seguir auxiliando nas melhorias da separação de moléculas de gás e o executivo antecipou que novos recordes devem ser observados em breve pela petrolífera.
O gerente apontou ainda que o início da exportação da P-78 e da P-79 também deve contribuir:
“A P-78 está produzindo óleo desde 31 de dezembro do ano passado, mas ainda não iniciou a exportação de gás. Vai iniciar em breve e contribuir com cerca de mais 3,5 milhões de m³/ dia. A P-79 é uma planta muito semelhante, praticamente gêmea da P-78, então tem a mesma capacidade. Então, só aí a gente já está falando de uma exportação adicional de mais 7 milhões de m³/dia”.
Há a expectativa também da entrada das novas três plataformas do campo de Búzios, P-80, P-82 e P-83. As duas primeiras foram batizadas no final de agosto em Singapura, já estão na fase final de integração dos módulos. O início de produção de ambas está previsto para 2027.
Cada plataforma tem capacidade de produzir 225 mil barris/dia de petróleo e processar 12 milhões de m3/dia de gás. Entretanto, a plataforma mais significativa para a exportação de gás no campo de Búzios ainda está em fase de licitação. É a Búzios 12, que poderá aumentar o total exportado entre 5,5 e 6 milhões de m3/dia, graças a uma unidade de tratamento (UTG) a ser instalada na plataforma, com capacidade para 12 milhões de m3/dia.
O FPSO operará também como um hub logístico e passará a exportar o gás produzido pela P-80, P-82 e P-83, unidades que hoje não possuem facilidades para tratamento e exportação do gás. Ao final, restará apenas o FPSO Almirante Tamandaré como única unidade sem capacidade para exportar gás, reinjetando o energético de volta ao campo.
A unidade de tratamento tem dupla importância para a exportação do gás, ao reduzir a reinjeção e otimizar o custo de escoamento para a Petrobras, até a unidade de processamento (UPGN).
Fonte: Brasil Energia