Notícias | 17 maio, 2026

Sem exploração, Brasil perde competitividade, diz Abespetro

Sem exploração, Brasil perde competitividade, diz Abespetro

A inatividade exploratória em novas fronteiras e o baixo fator de recuperação dos campos limitam a indústria de óleo e gás no país, segundo a entidade

Por Fernanda Nunes

A ausência de exploração de novas fronteiras no Brasil compromete o investimento por empresas fornecedoras. O país perde competitividade frente a outros mercados, na hora de as empresas fornecedoras escolherem onde ampliar os negócios, segundo a Abespetro, que representa as grandes empresas de bens e serviços de petróleo.

A conclusão faz parte do Caderno Abespetro 2026, que traz a fotografia da indústria de óleo e gás e projeções. A falta de exploração de novas fronteiras é o “desafio número um” da indústria, segundo Telmo Ghiorzi, presidente executivo da entidade.

Sem exploração, não há descoberta. “O Brasil está caminhando para ser importador de petróleo em dez a 15 anos”, afirmou ele.

A perspectiva da Abespetro é que, seguindo o ritmo atual, as reservas provadas garantiriam produção por cerca de nove anos, até 2035. Caso as reservas adicionais sejam convertidas em provadas, esse horizonte pode se estender até 2042.

Para chegar a essa projeção, foram consideradas 17 bilhões de barris de reservas provadas e 12 bilhões de barris de reservas prováveis e possíveis, além de uma produção anual estimada em 1,8 bilhão de barris, equivalente a cerca de 5 milhões de barris por dia.

Números levantados com a consultoria Rystad demonstram a inatividade exploratória no Brasil frente a seus pares. Nenhum poço foi perfurado em uma região de nova fronteira, no país, de 2018 a 2024. Em 2025 foi perfurado o prospecto de Morpho, após 12 anos de espera desde a compra da área, em leilão, em 2013.

No mesmo período, de 2018 a 2024, a Guiana e o Suriname perfuraram 62 poços exploratórios em nova fronteira. Na Noruega, foram perfurados 32 e em países do Oeste e Sul da África, 28.

Ghiorzi apontou algumas medidas que devem ser tomadas para ampliar as reservas brasileiras. Além de perfurar em novas fronteiras, ele sugere aumentar o fator de recuperação dos campos existentes. Enquanto o fator de recuperação dos 20 maiores projetos offshore do Mar do Norte é de 46%, no Brasil, é de 27%.

“As causas para este cenário de baixo FR são objeto de reflexões e estudos, mas não há conclusão definitiva, embora haja indícios baseados no que se observa em outros países, relativos a modelos regulatórios e diversidade das petroleiras operando a produção no país”, traz o Caderno Abespetro 2026.

A entidade defende uma maior participação das empresas privadas no setor, hoje dominado pela Petrobras, que, segundo a associação, responde por 90,7% do mercado.

“Quando nós vendemos para um só operador, o poder de barganha da petroleira atrapalha a dinâmica da cadeia produtiva. O Mar do Norte é uma boa referência”, disse Ghiorzi.

Apesar dos desafios, o momento atual da indústria de óleo e gás é positivo, por conta, principalmente, dos investimentos da Petrobras para contratar novos FPSOs e sistemas submarinos. Os 700 mil empregos diretos e indiretos do setor remontam o patamar de 2010, último ano de grande empregabilidade.

Após essa data, a indústria brasileira de óleo e gás viveu um ciclo de decadência, por conta da queda do preço do petróleo, da crise financeira global e da interrupção dos leilões de áreas. Com isso, o número de empregos chegou a 500 mil.

Para os próximos anos, até 2031, a projeção é de estabilidade do número de empregos. Mas um cenário mais otimista pode elevar novamente as contratações, caso a exploração da Margem Equatorial e da Bacia de Pelotas avance e o fator de recuperação dos campos no Brasil aumente 4 pontos percentuais.

Este novo patamar de FR resultaria no acréscimo de aproximadamente 6,5 bilhões de barris às reservas e investimentos adicionais médios de US$ 30,6 bilhões por ano.

Além dos possíveis ganhos com melhorias no mercado interno, a indústria fornecedora de óleo e gás brasileira está de olho também em oportunidades nos países vizinhos. Ghiorzi contou que a Abespetro tem mantido contato com o Itamaraty para avaliarem juntos possibilidades de negócios na Venezuela.

“Mas há questões políticas importantes. Precisa esperar o que vai acontecer lá. Tem demanda, mas tem um fator regulatório e político complexos”, disse o presidente-executivo da Abespetro.

Fonte: Brasil Energia