Notícias | 11 abril, 2025
Porto sem Papel 3.0 intensificará interoperabilidade e uso de dados inteligentes
Em seminário promovido pelo MPor, autoridade e órgãos anuentes relataram avanços, desafios e sinergias na gestão integrada de embarcações pelo PSP, destacando importância da padronização, confiança institucional e compartilhamento de dados
O Ministério de Portos e Aeroportos reforçou o papel do sistema Porto sem Papel (PSP) como ferramenta de colaboração estratégica entre os órgãos públicos que atuam nos portos brasileiros. A plataforma digital, em operação desde 2013, já é utilizada por Marinha do Brasil, Polícia Federal, Anvisa, Receita Federal, autoridades portuárias e operadores logísticos, consolidando-se como a janela única nacional para o controle de estadias de embarcações. Em seminário promovido pelo MPor na última quarta-feira (9), a pasta lançou o PSP 3.0, nova fase do programa que intensifica a interoperabilidade e o uso de dados inteligentes.
Para o MPor, o maior ativo da plataforma é a articulação entre os entes públicos, com foco na desburocratização e padronização de procedimentos. “O Porto sem Papel nasceu da necessidade de integrar os mais de 1.500 campos e formulários que antes circulavam manualmente entre os órgãos. Hoje, ele é um sistema premiado e referência internacional”, afirmou o secretário executivo adjunto do MPor, Fábio Lavor.
A Polícia Federal, representada pelo delegado Marcelo João, destacou que o PSP transcende a anuência e se tornou aliado no combate ao tráfico internacional. “A plataforma pode ser usada para controle de acesso a áreas restritas e cruzamento de dados migratórios, aumentando nossa capacidade investigativa e operacional”, ressaltou.
A Marinha do Brasil, na fala do capitão de fragata Périx Alves Arais, apontou a padronização de processos como um dos principais ganhos. “Reduzimos em 50% o volume de dados exigidos. Hoje, conseguimos monitorar a performance das 32 capitanias envolvidas com o PSP e ajustar eventuais falhas operacionais”, disse Arais.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por sua vez, explicou que o PSP foi essencial para organizar a logística das inspeções sanitárias e garantir transparência nos agendamentos. “O sistema nos permite atuar com mais previsibilidade e orientar o setor regulado com dados claros”, explicou Gabriela Vieira, gerente-geral da área de portos da agência.
No campo da governança portuária, o destaque ficou para o Porto de Suape (PE), que apresentou sua trajetória na adoção do sistema e na criação de seu próprio PMS (Port Management System), totalmente integrado ao PSP. “Criamos um ambiente digital colaborativo. Inovação exige convencer, investir e persistir. Mas o retorno é claro: mais agilidade, menos erros e mais controle”, disse Adriana Martim, diretora de inovação do porto.
“O PSP é hoje mais do que um sistema. Ele é uma ponte entre instituições, agentes e operadores que constroem juntos um setor portuário moderno e alinhado com as melhores práticas internacionais”, resumiu o delegado Marcelo João, da PF.
Durante o evento, a Secretaria Nacional de Portos (SNP) anunciou que o próximo passo é integrar plenamente os sistemas de tráfego marítimo (VTMS) e o PCS (Port Community System), criando um ecossistema onde todos os elos da cadeia se conectem com segurança, transparência e fluidez.