Notícias | 30 abril, 2026

Petrobras preocupada com combinação entre CBO e OceanPact

Petrobras preocupada com combinação entre CBO e OceanPact

Em documento enviado ao Cade, companhia afirma que a operação traz preocupações concorrenciais que exigem uma análise mais assertiva por parte da autoridade antitruste, para evitar que a incorporação gere uma concentração excessiva no mercado

Por Ana Luisa Egues

A Petrobras pediu para entrar como terceira interessada no processo do Cade que analisa a incorporação da CBO pela OceanPact. Em petição enviada na segunda-feira (27), a estatal afirma que a operação traz preocupações concorrenciais que exigem uma análise mais assertiva por parte da autoridade antitruste, para evitar que a incorporação gere uma concentração excessiva no mercado.

Para defender seu argumento, a Petrobras apresentou alguns dados ao Cade. Por exemplo, no mercado de embarcações PSV (Platform Supply Vessel)/ORSV (Oil Spill Response Vessel) de bandeira brasileira, a OceanPact detém 7,18% das embarcações, sendo a quinta maior empresa do mercado neste segmento, ao passo que a CBO (2ª maior) detém 14,92%.

Deste modo, com a incorporação da CBO pela OceanPact, a incorporadora passará a deter 40 embarcações PSV, ou seja, 22,10%, chegando muito próximo aos números da primeira empresa neste setor, a Bram Offshore.

“A avaliação do mercado pode ser ainda mais preocupante, se considerarmos não apenas as empresas listadas no mercado, mas aquelas que efetivamente se apresentaram nos processos de contratação da Petrobras”, continua a estatal na petição.

Segundo a Petrobras, a participação nos processos competitivos da companhia apresenta recorrência de um conjunto restrito de empresas brasileiras de navegação. Entre os grupos econômicos participantes, estão: Baru Offshore, Bram Offshore, Brasbunker, Companhia Brasileira de Offshore (CBO), Compagnie Maritime Monégasque Offshore (CMM), Galáxia Marítima, Maraú (Grupo OceanPact), Posidonia Shipping, Starnav Navegação, UP Offshore e Wilson Sons, totalizando 11 empresas.

A companhia também cita a existência de barreiras regulatórias, afirmando que a mobilidade internacional da frota de embarcações de apoio marítimo, em especial a PSV, ORSV, RSV, que poderiam ser destinadas para operações em águas jurisdicionais brasileiras – AJB, é restrita.

Combinação

A combinação de negócios entre a CBO e a OceanPact foi anunciada pelas empresas no final de fevereiro deste ano. Com a transação, a companhia combinada contará com uma frota de 73 embarcações, receita anual de mais de R$ 4 bilhões e backlog de R$ 14 bilhões, segundo o comunicado emitido pelas empresas.

Um dos pilares estratégicos que a combinação se apoia é a ampliação da capacidade de atuação no mercado de apoio offshore, no segmento de embarcações e no de serviços. “Nós enxergamos a capacidade de ampliarmos a nossa participação tanto nos bids de descomissionamento, que é uma demanda que vem crescendo no mercado, quanto em serviços que demandam embarcações com maiores especificações técnicas”, disse o vice-presidente e líder da integração, Haroldo Solberg, em apresentação realizada em março.

O fechamento da operação está sujeito à aprovação do Cade, além do cumprimento das demais condições precedentes usuais nesse tipo de operação, incluindo a aprovação em assembleias gerais das companhias e a anuência dos credores.

Fonte: Brasil Energia