Notícias | 7 setembro, 2026
Mais severa em 2026, estiagem deve impedir transporte de 3,4 milhões de toneladas no Norte, estima ATP
Carmen Nery
A estiagem no Norte em 2026 dever ser mais severa do que no ano passado e 3,4 milhões de toneladas podem deixar de trafegar pelos rios da região. Se essa carga tiver de ser transportada por caminhão, serão necessários 68 mil viagens. A estimativa é da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP). Os efeitos da estiagem devem começar no final de setembro e se estender até meados de dezembro.
De acordo com Murillo Barbosa, presidente da ATP, são dois cenários. No Rio Amazonas passam os grandes navios e o efeito maior será em cima dos porta-contêineres, principalmente próximo a foz do Rio Madeira. Os terminais da região já vêm adotando medidas de mitigação e não deve haver paralisação.
“Os dois terminais de Manaus (AM), o Super Terminais e o Chibatão, já estão se preparando para estabelecer estações flutuantes próximas a Manaus, em Itacoatiara (AM), para aliviamento de carga dos navios. A medida em que o rio vai baixando, os navios farão transbordo para as barcaças, a um limite até que o navio possa continuar. Se não houver mais condições de continuar, ele será totalmente descarregado”, explicou Barbosa à Portos e Navios.
Ele destacou que a vazão está sendo intensa. Há dois anos, havia um movimento de redução de 10 a 12 centímetros por dia. Em 2026, os rios estão baixando 12cm a 16cm por dia no Amazonas.
O segundo cenário é o do Rio Tapajós, onde há grande escoamento de grãos. Lá a redução foi de 1,32 metro nos últimos 15 dias. “O movimento de seca está muito forte e os meses de outubro e novembro devem ser muito ruins”, disse o almirante.
Felipe Gurgel, diretor-executivo de navegação na Log-In Logística Intermodal, que opera cabotagem na região, disse que a empresa vem sugerindo aos fabricantes locais a antecipação de encomendas e formação de estoques próximos aos centros de consumo. No mês passado, a Log-In teve um incidente com o navio Experience, que chegou a encalhar, mas Gurgel afirmou que o incidente não foi relacionado à seca.
O presidente da ATP disse que o movimento de aceleração está de fato ocorrendo, mas as fábricas têm um limite para o aumento da produção. Os terminais com bases flutuantes estão localizados no Rio Negro. Já a movimentação no Tapajós são barcaças basicamente para escoamento de milho e soja de Miritituba (PA) para Santarém (PA), Barcarena (PA), próxima a Vila do Conde (PA), e Santana (AP), próxima à Barra Norte.
“São afetadas empresas como Cianport, Cargil, Unitapajós (joint-entre Amaggi e Bunge) e Hidrovias do Brasil, os grandes transportadores de Miritituba. Hoje, o Rio Tapajós está na faixa de 3,20m. A barcaça pode carregar até 3,80m e vai reduzindo sua carga até um calado de 2m — um patamar crítico que deve ser atingindo no início de outubro. A partir daí a navegação, navios e barcaças será totalmente interrompida. O Madeira também pode ter interrupção, embora algumas intervenções possam ser feitas. Mas, no Tapajós, houve resistência das ONGs e dos indígenas, contrários à dragagem. Com certeza, em outubro, vaia haver paralisação”, lamentou o presidente da ATP.
Nota da Redação: O navio que sofreu encalhe e já voltou à operação é o Log-In Experience (LOEX), e não o Endurance (LOEN), como informado anteriormente.
Fonte: Portos e Navios