Notícias | 24 julho, 2026
Cade vai analisar fusão entre Transocean e Valaris
Companhias afirmam que a combinação não enseja preocupações concorrenciais, seja globalmente ou no Brasil
Por Ana Luisa Egues
O Cade está analisando a combinação de negócios entre a Transocean e a Valaris, de acordo com informações publicadas no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (20). A transação, avaliada em US$ 5,8 bilhões, foi anunciada ao mercado em fevereiro de 2026.
As companhias planejam combinar seus negócios por meio de uma operação de troca de ações, na qual a Transocean adquirirá a totalidade das ações em circulação da Valaris em troca de ações da Transocean. Caso a operação seja aprovada, os acionistas da Transocean deterão aproximadamente 53%, em base totalmente diluída, da empresa combinada, e os acionistas da Valaris deterão, em base totalmente diluída, os 47% restantes.
As empresas afirmam que a combinação viabilizará mais de US$ 200 milhões anualmente em sinergias de custos identificadas, além de redução de custos da Transocean. “As sinergias de custos anuais incluirão a consolidação das operações globais e do suporte em bases terrestres, a otimização das operações e a integração de expertise técnica, a redução de custos na cadeia de suprimentos decorrente do maior porte da empresa, a eliminação de despesas gerais e administrativas redundantes e a implementação de melhores práticas”, declaram em documento enviado ao Cade.
Além disso, a operação criará uma frota offshore “diversificada”, uma vez que existe uma complementaridade entre as empresas em relação ao tipo de plataformas em suas frotas. A Transocean possui e opera floaters, incluindo uma combinação de drillships e semissubmersíveis. Já a Valaris, além de floaters, possui 31 jackups (incluindo 7 que estão atualmente paralisados – stacked), dos quais muitos são particularmente adequados para ambientes adversos (harsh environments).
“A Transocean não possui nem opera nenhum jackup. A operação, portanto, criará uma frota de perfuração offshore com capacidades mais amplas e maior alcance geográfico, o que permitirá à empresa combinada competir por um espectro mais amplo de oportunidades globais de perfuração”, afirmam as empresas. Como exemplo, as empresas citam certas partes do Mar do Norte (incluindo no Reino Unido), Qatar, Arábia Saudita e Trinidad e Tobago como regiões que são adequadas apenas para perfuração por jackups.
“Em particular, a operação permitirá à Transocean oferecer aos clientes uma oferta combinada aprimorada de drillships e semissubmersíveis, juntamente com uma frota moderna de jackups, ampliando sua capacidade de atender clientes que necessitam de plataformas em geografias-chave de águas rasas. A operação, portanto, permitirá à Transocean atender à demanda dos clientes em uma gama mais ampla de profundidades de água”, continuam as empresas no documento enviado ao Cade.
Por fim, as companhias afirmam que a combinação não enseja preocupações concorrenciais, seja globalmente ou no Brasil. Elas argumentam que a participação conjunta no mercado mundial de prestação de serviços de perfuração offshore por meio de floaters é limitada, correspondendo a 21%. “Por completude, as requerentes também analisaram as duas segmentações adicionais do mercado mundial consideradas pelo Cade no passado (plataformas flutuantes não ultraprofundas e plataformas flutuantes ultraprofundas). Tampouco há preocupações concorrenciais em nenhum desses segmentos”, defendem.
Fonte: Brasil Energia