Notícias | 2 abril, 2026
Petrobras pede aval do Ibama para perfurar mais poços no FZA-M-59
Companhia solicitou a anuência do instituto para a perfuração de três poços contingentes no bloco, localizado na Bacia da Foz do Amazonas, assim como o aval para as operações de abandono e para a execução de possíveis testes de formação
Por Ana Luisa Egues
Em carta enviada ao Ibama na terça-feira (31), a Petrobras solicitou a anuência para a perfuração de três poços contingentes no bloco FZA-M-59, localizado na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial. No documento, a estatal também solicita o aval para as operações de abandono desses três poços e do poço Morpho, bem como para a execução de testes de formação, condicionados aos resultados dos poços efetivamente perfurados.
De acordo com a companhia, no âmbito do processo de licenciamento da atividade de perfuração marítima no bloco FZA-M-59, constava a previsão de perfuração de um poço firme, denominado Morpho, e de três poços contingentes, inicialmente nomeados como Manga, Maracujá e Marolo.
“Com a perspectiva de continuidade das operações no bloco após a perfuração do poço Morpho e com o aprofundamento do conhecimento dos prospectos, foi possível identificar melhores oportunidades, com maior chance de sucesso, de modo que os dados dos poços foram complementados e atualizados”, justificou a Petrobras em documento enviado ao Ibama.
A ideia é iniciar a perfuração desses três poços contingentes – agora nomeados Manga, PAD Morpho e Crotalus – em outubro deste ano, abril de 2027 e outubro de 2027, respectivamente. O poço Manga deve ser perfurado em lâmina d’água de 2,8 mil m, a 173 km da costa, enquanto o poço PAD Morpho deve ser perfurado em lâmina d’água de 2,9 mil m, a 181 km da costa. Por fim, o poço Crotalus deve ser perfurado em lâmina d’água de 2,9 mil m, a 174 km da costa, segundo o documento enviado ao Ibama.
O processo de abandono dos poços acontece após a perfuração, quando são instalados e testados tampões mecânicos e/ou de cimento, a fim de garantir a efetividade da vedação dos poços. A depender dos resultados obtidos na perfuração, poderão ser realizados testes de formação para avaliação da produtividade do reservatório. Por fim, ocorre a etapa de desmobilização, a qual consiste na retirada e na navegação da unidade de perfuração.
“Cabe ressaltar que permanecem as mesmas as bases de apoio marítimo – Porto de Belém/PA – e aéreo – Aeródromo de Oiapoque/AP para a perfuração dos demais poços no bloco FZA-M-59”, afirma a Petrobras no documento. Da mesma forma, está previsto o uso dos mesmos recursos logísticos e operacionais para a perfuração dos poços contingentes, em especial no que se refere à unidade de perfuração, às aeronaves e às embarcações de apoio à atividade, “mantendo as mesmas condições de operação”, continua a estatal.
Os três poços contingentes não estão previstos na licença de operação (LO nº 1684/2025) emitida pelo Ibama no dia 20 de outubro. A licença autorizou somente a perfuração do poço Morpho. A Petrobras, no entanto, já solicitou ao instituto a retificação de algumas condicionantes da licença, sendo um dos pedidos a inclusão desses três poços.
A perfuração do poço Morpho foi retomada pela Petrobras no dia 16 de março, cerca de 70 dias após o vazamento de 18,44 m³ de fluido de perfuração em linhas auxiliares do riser, que ocasionou a paralisação da atividade. A estatal foi multada pelo Ibama (em R$ 2,5 milhões) e pela ANP (em até R$ 2 milhões) pelo vazamento.
Morpho está sendo perfurado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, pela sonda ODN-II (também conhecida como NS-42), da Foresea. Recentemente, o Ministério Público Federal (MPF) solicitou, em caráter urgente, a nulidade ou a suspensão imediata da licença de operação que autorizou a perfuração do poço Morpho, por conta do vazamento.
Fonte: Brasil Energia