Notícias | 27 fevereiro, 2026
América do Sul mantém domínio global na demanda por FPSOs
Segundo a Rystad Energy, 15 projetos estão previstos para a região nos próximos quatro anos, de um total de 36 contratados ou aguardando aprovação no período de 2021 a 2030, somando compromissos de investimentos de cerca de US$ 181 bilhões
Por Fernanda Legey
A América do Sul segue aquecida no mercado de FPSOs, com pelo menos 15 projetos até 2030. O valor faz parte de uma base estimada da Rystad Energy, em que há 36 projetos contratados ou esperando aval de 2021 a 2030. Ao todo, os compromissos de custos assumidos são de aproximadamente US$ 181 bilhões.
Mesmo com um ambiente complicado desde 2024 (desafios de execução por causa de incertezas e inflação, ocasionando atrasos e mudanças nos projetos da Petrobras), os novos bids “sinalizam resiliência de mercado, com contratos de destaque que vão do Brasil à Guiana, Suriname e Ilhas Malvinas”, destacou a consultoria na análise divulgada no dia 19.
Dos 36 FPSOs, 21 já foram contratados, restando os 15 citados. Esses possíveis projetos poderão ser menores na comparação com as unidades grandes vistas no início da década de 2020, refletindo pressões de otimização de custos enquanto mantém a liderança da América do Sul na demanda global por FPSOs.
A Rystad aponta alguns fatores para a situação, e uma delas é a complexidade técnica. A maior parcela da demanda de FPSOs está na América do Sul, que ao mesmo tempo é a região mais tecnicamente exigente. O pipeline de 36 projetos até 2030 abrange unidades de capacidade ultra grande capazes de processar entre 180 mil bpd e 250 mil bpd.
É esse cenário que diferencia os FPSOs desta para outras regiões. Na África Ocidental, por exemplo, as unidades têm capacidade de produção entre 100 mil bpd e 150 mil bpd em águas rasas e menos exigências para processar gás natural enquanto o mercado do Sudeste Asiático enfatiza desenvolvimentos de condensado de gás em detrimento da produção de petróleo de alta capacidade.
Brasil e Guiana pavimentam sua importância para o mercado
A política de conteúdo local do Brasil, para a Rystad, é algo a ser considerado na parte de execução, uma vez que mesmo sendo ocorra transferências excedentes (Lei 15.075/2024) e incentivos de royalties para projetos da Fase Zero (Decreto 12.362/2025), a Petrobras tem solicitado cada vez mais exigências locais de construção, mesmo para projetos sem obrigações contratuais.
A abordagem visa sustentar a capacidade de fabricação brasileira enquanto apoia a possibilidade de aumentar o conteúdo local em projetos mais complexos, mas também adiciona incerteza de custos e cronograma, pontua a consultoria.
A Rystad demonstra que o mecanismo de compensação traz flexibilidade, mas a implementação continua complexa. Para projetos futuros – incluindo P-81 e P-87 (SEAP 1 e 2) e P-91 (Búzios 12) – as negociações de conteúdo local influenciarão as abordagens de seleção e execução dos contratados.
Já na Guiana, a atividade da ExxonMobil no bloco Stabroek provoca estabilidade na região, mantendo um contrato de FPSO por ano. O ritmo constante de decisões de investimentos (FIDs) aprovados e concessão de contratos proporciona aos empreiteiros uma visibilidade de vários anos e apoia o planejamento da área.
Em outras áreas, a TotalEnergies está com o projeto no Bloco 58, no Suriname, com o FPSO Krabdagu do campo GranMorgu. O campo pode ser comparado a algum do pré-sal brasileiro. A profundidade da água do projeto entre 600 e 800 metros e a necessidade de processamento de gás de 500 milhões de pés cúbicos por dia o posicionam como um análogo técnico aos desenvolvimentos no Brasil.
Também, o FID da Navitas Petroleum, sediada em Israel, sobre a redistribuição do Aoka Mizu demonstra ativação no mercado de fronteira nas Malvinas, embora a abordagem de conversão reflita uma escala de campo menor em comparação com megaprojetos do Brasil e da Guiana.
“Além dos desafios macroeconômicos, os prazos de entrega de equipamentos para turbinas a gás e compressores em toda a indústria variaram de 12 a 60 meses, forçando os operadores a avançar com a aquisição de longo prazo antes dos FIDs.
Embora os desafios persistam, a base de recursos da América do Sul, o compromisso dos operadores e as capacidades dos contratados garantem a liderança global contínua do FPSO até o final desta década”, finalizou a Rystad Energy.
Fonte: Brasil Energia